Lula defende nova política de financiamento em reunião do Novo Banco de Desenvolvimento - Reprodução


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo aos bancos internacionais de investimentos para que mudem o sistema de financiamento do desenvolvimento, abandonando as condicionalidades e medidas de austeridade que prejudicam a capacidade de investimento dos países mais pobres.

“Não é doação de dinheiro, é empréstimo para que pessoas possam ter uma chance de sair da miséria em que estão e dar um salto de qualidade”, afirmou Lula durante a reunião anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), no Rio de Janeiro.

Lula criticou duramente as políticas de austeridade impostas pelas instituições financeiras tradicionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, que apenas exacerbam a pobreza e a desigualdade. “A chamada austeridade exigida pelas instituições financeiras levou os países a ficar mais pobres, porque toda vez que se fala em austeridade o pobre fica mais pobre e o rico fica mais rico”, acrescentou.

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Dívida Insustentável

O presidente brasileiro também destacou a questão da dívida insustentável que muitos países enfrentam, citando o exemplo do continente africano, que deve US$ 900 bilhões. “Não é possível que o continente africano deva US$ 900 bilhões e o pagamento de juros muitas vezes é muito maior que qualquer dinheiro que eles tenham para fazer investimentos”, afirmou.

Novo Modelo de Financiamento

Lula defendeu a criação de um novo modelo de financiamento que seja mais justo e equitativo, sem condicionalidades e com foco no desenvolvimento sustentável. “Eu acho que vocês podem e devem mostrar ao mundo que é possível criar um novo modelo de financiamento, sem condicionalidades”, disse.

O Papel do NDB

O presidente brasileiro também destacou o papel do NDB, criado pelo Brics, em 2014, como uma alternativa às instituições financeiras tradicionais, que pode oferecer financiamento para projetos de desenvolvimento sustentável sem condicionalidades. “Nosso banco é mais do que um grande banco para países emergentes, ele é a comprovação de que uma arquitetura financeira reformada é viável e que um novo modelo de desenvolvimento mais justo é possível”, concluiu Lula.