Ao menos 120 pessoas, entre elas cem policiais, ficaram feridas neste domingo (16) em confrontos durante manifestações contra o governo na Cidade do México, segundo autoridades locais.
Os protestos ocorreram no sábado (15) e reuniram milhares de pessoas na capital mexicana. Os manifestantes criticaram a escalada da violência no país e a gestão da presidente Claudia Sheinbaum. A marcha foi organizada por grupos de jovens e contou com a participação de cidadãos que protestavam contra crimes de grande repercussão, como o assassinato do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo, ocorrido em 1º de novembro durante um festival do Dia dos Mortos.
Durante o ato, parte da barreira de proteção do Palácio Nacional, residência oficial da presidente, foi desmontada por manifestantes. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo. Vinte pessoas foram detidas sob suspeita de roubo e agressão, informou Pablo Vázquez, chefe de segurança da Cidade do México.
Faixas com frases como “Somos todos Carlos Manzo” foram exibidas pelos manifestantes, alguns dos quais usavam chapéus de caubói em homenagem ao prefeito. Manzo era conhecido por denunciar publicamente a atuação de cartéis na região e por cobrar ações mais duras contra o crime organizado.
Sheinbaum tem adotado medidas contra os cartéis, mas se opõe a uma nova ofensiva militar ampla, como as realizadas por governos anteriores, que resultaram em elevado número de mortes. Dias antes da manifestação, a presidente afirmou que o ato estava sendo promovido por robôs em redes sociais e por políticos de direita contrários ao seu governo. “Concordamos com a liberdade de expressão e manifestação, mas é preciso saber quem está promovendo esse movimento”, disse em entrevista coletiva.
A presidente mantém índices de aprovação superiores a 70% em seu primeiro ano de mandato. Entre os avanços apontados por seu governo está o combate ao tráfico de fentanil, tema considerado prioritário pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Apesar disso, Sheinbaum enfrenta críticas pela persistência da violência no país e por tensões diplomáticas. No início de novembro, o Congresso do Peru declarou a presidente mexicana persona non grata, após o México conceder asilo à ex-primeira-ministra peruana Betssy Chávez, acusada de tentativa de golpe em 2022.




