Kassab faz uma revoada de adesões dentro dos tucanos e na Cidadania. (Foto: Reprodução)


Um café da manhã em São Paulo selou o destino de um partido que já foi sinônimo de poder no estado. Gilberto Kassab (PSD) recebeu sete deputados da federação PSDB-Cidadania. Seis tucanos e um do Cidadania anunciaram: vão se filiar ao PSD em março.

“É o fim de um ciclo”, resumiu um dos parlamentares presentes.

Da hegemonia à debandada

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O PSDB nasceu em 1988, fruto de uma dissidência do MDB. Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Mário Covas e José Serra estavam entre os fundadores. O partido se confundiu com São Paulo.

De 1994 a 2018, os tucanos venceram sete eleições seguidas para governador. “Parecia eterno”, lembra um ex-dirigente. Mas em 2022, Rodrigo Garcia perdeu para Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A derrota expôs fissuras internas, agravadas pela disputa entre João Doria e outras lideranças.

O desgaste nacional

Em 2022, pela primeira vez, o PSDB não lançou candidato à Presidência. Dois anos depois, na janela partidária, oito vereadores da capital deixaram a sigla.

O resultado nas urnas foi devastador: nenhuma capital conquistada, nenhuma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo. No interior, o número de prefeituras despencou de 173 para 21.

“Foi um baque. O partido perdeu a base, perdeu a identidade”, admite uma liderança que ainda resiste.

Último bastião

Na Assembleia Legislativa, a federação PSDB-Cidadania ainda mantinha a terceira maior bancada. Era o último reduto. Com a saída anunciada, restam apenas Carla Morando e Bruna Furlan.

“Estamos vivendo o desmonte em tempo real”, disse uma das deputadas.

Memória de poder

O PSDB governou São Paulo por quase três décadas. No plano nacional, elegeu Fernando Henrique Cardoso duas vezes presidente. Foi protagonista da política brasileira.

Hoje, vê sua história se desfazer em silêncio. A debandada para o PSD simboliza não apenas uma troca de legenda, mas o fim de uma hegemonia.

“Os tucanos já não voam mais”, ironizou um observador da cena política.