A percepção dos brasileiros sobre a economia tem mostrado mudanças nos últimos meses, conforme aponta a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 4 de junho. A proporção de pessoas que consideram que a economia piorou nos últimos doze meses recuou para 48%, uma queda de oito pontos percentuais em relação aos 56% registrados em abril. Essa redução ocorre em um momento em que menos brasileiros relatam aumentos nos preços de itens essenciais, como alimentos, combustíveis e contas de luz.
O levantamento foi realizado entre os dias 29 de maio e 1º de junho, com entrevistas feitas com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todas as regiões do país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. De acordo com os dados, há uma percepção de desaceleração nos aumentos de preços. Em abril, 88% dos entrevistados notavam altas nos alimentos, número que caiu para 79% agora. O mesmo fenômeno ocorre com os combustíveis, cuja percepção de aumento passou de 70% para 54%, enquanto a conta de luz foi apontada como mais cara por 60% dos participantes, uma queda de cinco pontos percentuais.
Outro aspecto relevante da pesquisa é a expectativa econômica para os próximos meses. O percentual de brasileiros que acreditam que a economia pode piorar nos próximos doze meses caiu de 34% para 30%. Ainda assim, a maioria dos entrevistados segue considerando que seu poder de compra diminuiu em comparação com um ano atrás, com 79% afirmando que têm menos capacidade de consumo. No quesito qualidade de vida das famílias, houve melhora na percepção geral. Em abril, 39% dos brasileiros acreditavam que a situação piorou, mas esse percentual caiu para 35%, chegando a um empate técnico com os 33% que dizem notar uma melhora. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, a percepção positiva é maior, com 37% relatando uma melhora na qualidade de vida familiar.
A pesquisa também aponta para mudanças na avaliação do governo. O índice de desaprovação do presidente Lula (PT) atingiu 57%, enquanto 40% dos entrevistados aprovam sua gestão. Pela primeira vez, entre os católicos, a desaprovação é maior do que a aprovação, enquanto entre os entrevistados com ensino fundamental há um empate. Já no Nordeste, a aprovação voltou a superar a reprovação.
Outro ponto analisado foi o cenário do mercado de trabalho. A maior parte da população, 55%, considera que está mais difícil conseguir um emprego em relação ao ano passado, um aumento de dois pontos percentuais em relação a abril. Por outro lado, 35% dizem que a busca por uma nova ocupação está mais fácil, mantendo o mesmo patamar observado na pesquisa anterior.
Esses dados mostram uma evolução na percepção econômica e social dos brasileiros, indicando um cenário em transformação, com alguns sinais de recuperação e desafios persistentes.


