O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou nesta quinta-feira (20) o advogado-geral da União, Jorge Rodrigo Araújo Messias, 45, para ocupar a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) deixada por Luís Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria da Corte.
Natural de Recife (PE), Messias é servidor público desde 2007 e tem trajetória consolidada no Executivo federal. Sua nomeação reforça o perfil técnico e leal buscado por Lula para o STF, além de representar um gesto político de valorização de quadros internos do governo.
Trajetória no serviço público
Messias iniciou sua carreira como procurador da Fazenda Nacional e, ao longo dos anos, acumulou passagens por órgãos estratégicos como o Banco Central e o BNDES. Em 2011, foi nomeado subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil no governo Dilma Rousseff, cargo que o projetou nacionalmente.
Foi nesse período que ganhou notoriedade ao ser citado em uma conversa telefônica entre Dilma e Lula, interceptada pela Operação Lava Jato. Na ocasião, a então presidente mencionou que enviaria o “Bessias” com um termo de posse para Lula, o que gerou intensa repercussão política e midiática. O episódio, no entanto, não comprometeu sua carreira institucional.
Relação com Lula e atuação na AGU
Considerado homem de confiança do presidente, Messias integrou a equipe de transição ainda em 2022, antes da posse de Lula para o terceiro mandato. Em janeiro de 2023, assumiu oficialmente o comando da Advocacia-Geral da União (AGU), onde passou a liderar a defesa jurídica do governo em pautas sensíveis.
Na AGU, destacou-se por sua atuação firme na proteção das instituições democráticas, especialmente o STF, em meio a ataques e desinformação. Também coordenou ações judiciais de interesse direto do Planalto, como a defesa do decreto que alterava o IOF — posteriormente derrubado pelo Congresso — e a formulação de argumentos jurídicos para a regulamentação das redes sociais.
Internamente, é visto como articulador discreto, com trânsito entre ministros do Supremo, parlamentares e integrantes da cúpula do Executivo. Sua indicação foi bem recebida por setores do PT e por ministros do governo, que enxergam em Messias um perfil técnico, confiável e alinhado aos valores democráticos.

Perfil acadêmico e visão jurídica
Formado em direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Messias tem especialização em direito tributário e é mestre em direito público. Sua formação sólida e atuação em diferentes frentes do Estado conferem-lhe uma visão abrangente sobre o funcionamento da máquina pública e os limites da atuação estatal.
Defensor da harmonia entre os Poderes, tem se posicionado em favor de uma atuação institucional do STF, com foco na estabilidade democrática e no respeito à Constituição. Em entrevistas e manifestações públicas, evita declarações políticas e adota tom técnico, o que reforça sua imagem de jurista moderado.
Messias: Evangélico, diácono na Igreja Batista Cristã de Brasília
Jorge Messias e tem uma trajetória religiosa marcada pela fé evangélica desde a infância. Natural de Recife, Pernambuco, Messias é membro da Igreja Batista Cristã de Brasília, onde exerce a função de diácono — um cargo de liderança auxiliar que envolve apoio à comunidade, organização de cultos e suporte à administração eclesiástica.
Sua religiosidade é discreta, mas sólida. Ele é conhecido por manter uma postura reservada quanto à fé, sem fazer dela um instrumento político direto, embora sua pidentidade cristã seja parte importante de sua vida pessoal. A igreja da qual faz parte é liderada pelo pastor Sérgio Carazza, que já atuou como secretário-executivo no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos durante o governo Bolsonaro, evidenciando a diversidade de vínculos políticos dentro da própria comunidade religiosa.
Messias representa um perfil raro no cenário institucional brasileiro: um jurista com sólida formação técnica e atuação pública, que também carrega uma identidade religiosa ativa e respeitada. Sua presença no STF é simbólica para muitos evangélicos, especialmente por demonstrar que é possível conciliar fé, serviço público e compromisso com a Constituição.
Próximos passos
A indicação será encaminhada ao Senado, onde Messias passará por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se aprovado, assumirá a cadeira deixada por Barroso, que presidia o STF desde outubro de 2023.
Com a nomeação, Lula consolida sua terceira indicação ao Supremo em seu atual mandato, moldando o perfil da Corte para os próximos anos. A escolha de Messias sinaliza a preferência do presidente por nomes com trajetória institucional, discrição e fidelidade ao projeto político do governo


