Macário Ramos Júdice Neto, atualmente desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), protagoniza uma das trajetórias mais controversas da magistratura federal brasileira. Natural do Espírito Santo e formado em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), ele iniciou sua carreira como juiz federal na 3ª Vara Federal Cível de Vitória, onde ganhou notoriedade no início dos anos 2000.
Em 2005, Júdice Neto foi afastado do cargo por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após ser investigado por suposta venda de sentenças em favor de bicheiros e operadores de máquinas caça-níquel. Embora tenha sido absolvido na esfera penal em 2015, permaneceu impedido de exercer a magistratura devido a um processo administrativo disciplinar que se arrastou por anos.
O retorno só se concretizou em maio de 2023, após o CNJ, em decisão de novembro de 2022, reconhecer que não havia mais impedimentos legais para sua reintegração. A decisão levou em conta a absolvição penal e o encerramento do processo administrativo, além do princípio da presunção de inocência e da razoável duração do processo.
Pouco depois, em junho de 2023, Júdice Neto foi promovido ao cargo de desembargador do TRF-2 pelo critério de antiguidade, ocupando uma das novas vagas criadas pela Lei 14.253/2021, que ampliou a composição dos tribunais regionais federais. A posse ocorreu no Rio de Janeiro, sede do tribunal, marcando sua migração definitiva do Espírito Santo para a capital fluminense.
A volta de Júdice Neto ao cenário jurídico, no entanto, voltou a ser abalada nesta trrca-feira (16), quando foi preso pela Polícia Federal durante a segunda fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura o vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado o grupo criminoso Comando Vermelho. O magistrado era relator do caso envolvendo o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, acusado de ligação com a facção.


