O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, em Sorocaba, cidade 100 km a oeste de São Paulo, que seu governo está trabalhando para descobrir quem é o “ladrão”, segundo suas palavras, que provocou o aumento do preço do ovo no país, afirmando que não há justificativas para esse reajuste.
Em discurso, durante a cerimônia para entrega de ambulâncias a municípios, o presidente disse que “tem alguém passando a mão” para elevar o preço do ovo.
No mês de fevereiro, o ovo de galinha teve alta de 15,39% no preço, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Lula disse também em seu discurso que em breve o preço da carne vai baixar.
Ele afirmou ter feito um “estudo” do valor da caixa com 30 dúzias de ovos desde 2023 até o mês passado. Segundo o presidente, o produto manteve um preço estável nos meses de janeiro de 2023, 2024 e 2025, mas subiu abruptamente em fevereiro deste ano.
“Eu estou querendo descobrir onde é que teve um ladrão que passou a mão no direito de comer ovo do povo brasileiro. […] Então não tem explicação esse ovo estar caro. Alguém está passando a mão, esse é o dado concreto”, disse, em um evento de entrega de ambulâncias em Sorocaba (SP).
No mesmo discurso, o presidente ironizou as explicações, dadas por setores do agronegócio, de que o calor excessivo gerou uma diminuição na produção de ovos, dai o aumento do preço.
Acuado com a escala da inflação dos alimentos, Lula tenta contra atacar com as armas de que dispõe. Além do ovo, Lula disse que a isenção tributária, que entrou em vigor nesta sexta-feira (14) a isenção de importação de alimentos. Ele disse acreditar que a medida terá efeito para reduzir o preço da comida no Brasil. Acredita Lula que essa desoneração da importação vai reduzir o preço até da picanha, uma das promessas de campanha na eleição de 2022.
AMBULÂNCIAS
Na cerimônia de entrega de 789 novas ambulâncias do Samu, o presidente Lula voltou a afirmar que a prioridade de seu governo são as “pessoas mais humildes”, e que por isso são investidos anualmente R$ 300 bilhões anuais do orçamento federal para desenvolver e aplicar políticas públicas. Lula disse também que parte das críticas a seu governo vem da cobiça de setores mais abastados e minoritários da sociedade.
“Quem precisa do Estado são as pessoas mais humildes. E é por isso que a gente investe mais de R$ 300 bilhões por ano para cuidar das pessoas mais humildes. Isso significa 80% das pessoas. E tem gente que pode ficar nervosa: ‘Se o Lula não gastasse R$ 300 bilhões por ano [com os mais humildes], sobrava para nós'”, disse Lula. “É isso.”
O presidente ainda discorreu sobre os efeitos de políticas públicas e do papel do Estado sobre o desenvolvimento econômico. Lula destacou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com R$ 1,7 trilhão de investimentos, e o programa Nova Indústria Brasil (NIB) são exemplos de iniciativas governamentais que estão mantendo o Brasil na rota do crescimento econômico. “Por isso a economia está crescendo”, sentenciou.
Lula ainda anunciou o envio do projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Sobre a entrega das novas ambulâncias do Samu, ele recordou que o programa foi criado pelo seu primeiro governo, em 2003, e que antes disso as populações da maioria das cidades brasileiras dependiam de veículos que eram cedidos por autoridades políticas locais, e não como parte de uma política pública estruturada.
PROTESTO NO ABC
Metalúrgicos e outras categorias profissionais, como a de bancários, apresentaram na manhã desta sexta-feira (14), em protesto no centro de São Bernardo do Campo (SP), sua agenda atual de reivindicações. Entre as pautas estão a redução de jornada sem diminuição de salários e o fim da escala 6 x 1, ou seja, daquela em que o funcionário tem direito a apenas um dia de folga para cada seis dias de expediente cumpridos.
Eles pedem também isenção do Imposto de Renda para quem tem renda mensal de até R$ 5 mil e sobre Participação nos Lucros e Resultados (PLR) das empresas. A pauta já foi defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



