Blogueiro e influenciador político, Paulo Figueiredo é neto do ex-presidente da ditadura militar João Figueiredo. Ele emergiu como figura central na escalada das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Seu nome foi explicitamente mencionado na ordem executiva assinada por Donald Trump nesta quarta-feira (30), que impõe sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e estabelece uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, apelidada de “Tarifa Moraes”.
Radicado nos Estados Unidos, Figueiredo vem difundindo na Casa Branca que é um dos cidadãos cujos direitos humanos são desrespeitados pelo ministro Moraes.
O documento de Trump afirma que o ministro brasileiro emitiu “centenas de ordens para censurar secretamente seus críticos políticos” e apoiou investigações criminais contra cidadãos americanos que expuseram suas “graves violações de direitos humanos e corrupção”, citando especificamente o processo contra Figueiredo, inclusive por discursos feitos em território americano.
Atuação política e apoio a Trump
Paulo Figueiredo tem atuado como lobista junto ao governo Trump, em parceria com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para pressionar por sanções contra Moraes e outras autoridades brasileiras.
Ele se destacou como um dos principais defensores do “tarifaço” de Trump, chegando a declarar na semana passada: “Achamos ótimo. O Brasil merece a Tarifa Moraes”, em referência ao ministro relator do inquérito contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Trajetória e posicionamento anti-STF
Antes de se tornar influenciador e lobista, Figueiredo atuou como comentarista de TV. Com um discurso contundente contra o STF e apoio declarado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ele conquistou projeção nas redes sociais.
Em 2022, foi alvo de decisões judiciais do Supremo que determinaram o bloqueio de suas redes sociais no Brasil, o congelamento de bens e o cancelamento de seu passaporte.
Com formação em economia e especializações em instituições de renome como Harvard, London School of Economics e MIT, Figueiredo atualmente apresenta um canal no YouTube e escreve para o site conservador norte-americano “The Epoch Times”. Seu curso online, “O Fim da América e do Mundo Como Conhecemos”, já atraiu milhares de alunos.
Ele também participou de audiências no Congresso dos EUA, onde acusou Moraes de comandar uma “ditadura brasileira” e pediu sanções contra o ministro com base na Lei Magnitsky, que permite punir autoridades estrangeiras acusadas de corrupção ou violações de direitos humanos.
Implicações diplomáticas
A citação de Figueiredo por Trump, aliada à sanção a Moraes e à sobretaxa comercial, representa um novo e tenso capítulo nas relações diplomáticas entre Brasil e EUA.
A ordem executiva chega a afirmar que o governo brasileiro representa uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional americana, declarando uma nova emergência nacional com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977.
Para integrantes do Itamaraty, a medida é vista como uma retaliação política e uma cobrança de impunidade total para Bolsonaro, além de um gesto de apoio direto do governo Trump ao ex-presidente brasileiro e seus aliados.
Enquanto o governo Lula exige respostas diplomáticas e critica veementemente a medida, figuras da direita brasileira demonstram preocupação com o desgaste político.
Integrantes do PL, por exemplo, sugerem que Eduardo Bolsonaro se distancie publicamente do “tarifaço” para preservar a imagem da direita nas eleições de 2026. Paulo Figueiredo, no entanto, permanece como uma das vozes mais firmes em defesa das medidas de Trump.


