O aumento dos transtornos alimentares entre jovens na França tem sido associado ao papel das redes sociais na disseminação de padrões de magreza extrema e informações falsas sobre nutrição. Essas plataformas não são a causa direta dos distúrbios, mas funcionam como gatilho e dificultam a recuperação dos pacientes.
A Influência das Redes Sociais
As redes sociais podem ter um impacto devastador na saúde mental dos jovens. Embora não sejam a origem do problema, podem ser o estopim. Hoje não se trata mais um transtorno alimentar sem falar sobre redes sociais, pois elas se tornaram um gatilho, um acelerador e um obstáculo à recuperação.
Na França, cerca de 1 milhão de pessoas, principalmente mulheres entre 17 e 25 anos, sofrem de anorexia, bulimia ou compulsão alimentar. Os transtornos alimentares são a segunda principal causa de morte precoce entre jovens de 15 a 24 anos.
Conteúdos Perigosos e Ciclo Vicioso
Tendências como a #skinnytok promovem dietas extremas e métodos prejudiciais de perda de peso. Esses conteúdos são uma porta de entrada para práticas nocivas, como uso de laxantes e indução ao vômito. Essas práticas são normalizadas como formas legítimas de emagrecimento, mas o risco de uma parada cardíaca é real.
A validação digital contribui para a perpetuação dos transtornos alimentares. Pessoas com baixa autoestima acabam sendo validadas online por sua magreza, ganham seguidores e curtidas, e isso alimenta o transtorno e prolonga o estado de negação.
Casos de monetização também preocupam especialistas. Uma jovem chegou a receber dinheiro da plataforma por transmissões ao vivo em que vomitava, usando os valores para financiar suas compras.
Desafios no Tratamento e Falsas Informações
Mesmo aqueles que buscam ajuda enfrentam desafios. Informações erradas sobre alimentação se multiplicam nas redes e dificultam o trabalho de profissionais da saúde. As consultas viraram uma espécie de julgamento. É preciso explicar que não se vive com apenas mil calorias por dia, ou que pular refeições não é normal.
A influência de falsos coaches que divulgam conselhos prejudiciais e não têm formação na área é um problema recorrente. Os vídeos continuam online, os perfis raramente são suspensos, o que torna o combate a essas práticas desgastante.
Como alternativa, alguns especialistas têm recomendado que pacientes excluam redes sociais como o TikTok. Pode parecer drástico, mas enquanto os jovens não forem melhor informados, a plataforma representa um risco real.





