Edifício do banco central americano em obras que custaram valor questionado por Trump. (Reprodução: TV)


A reforma da sede do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), em Washington, tornou-se o centro de um conflito político de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 13,5 bilhões).

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Estimada inicialmente em US$ 1,9 bilhão em 2021, a obra no histórico Edifício Marriner S. Eccles e no Edifício Leste teve um aumento de custo superior a 30%.

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O gasto atraiu críticas do presidente Donald Trump e de aliados, levantando questionamentos sobre a supervisão fiscal da instituição.

A polêmica serve de munição para a Casa Branca tentar controlar a política de juros. Segundo relatou o presidente do Fed, Jerome Powell, em um vídeo divulgado na noite de domingo (11), a situação embasou até uma intimação do Departamento de Justiça.

Inflação e infraestrutura

O projeto começou a ser planejado em 2017 e as obras tiveram início em 2022. O objetivo é adequar prédios de quase um século às normas modernas de segurança e acessibilidade, além de ampliar escritórios.

Powell admitiu que a reforma em um prédio histórico geraria controvérsia, mas classificou o projeto como necessário.

Segundo o Fed, os edifícios nunca haviam passado por uma reforma completa, e os sistemas elétricos e hidráulicos continham chumbo e amianto.

O orçamento original subestimou três fatores principais:

  • A inflação do período da pandemia;
  • A alta nos custos de construção (especialmente aço);
  • Desafios inesperados de infraestrutura e mão de obra.

Solo pantanoso e mármore de luxo

Complicações ambientais também elevaram a conta. Operários descobriram problemas com o lençol freático devido ao solo pantanoso de Washington. Como as leis locais limitam a altura dos prédios, o Fed precisou realizar escavações subterrâneas profundas e complexas.

Além da engenharia, exigências estéticas pesaram no bolso. Durante o primeiro mandato de Trump, arquitetos sugeriram o uso de vidro, mas comissões indicadas pelo republicano exigiram o uso de mármore branco da Geórgia. A medida visava seguir uma proposta presidencial para que edifícios federais adotassem o estilo neoclássico.

Jardins ou estacionamento?

Trump e aliados acusam a gestão de Powell de gastos perdulários, citando supostos jardins extravagantes na cobertura e elevadores VIP.
O Fed nega e afirma que os “jardins” são, na verdade, áreas de estacionamento com vegetação para manejo de águas pluviais.

Para tentar conter o desgaste, o banco central cancelou a reforma de um terceiro prédio e publicou um tour virtual do canteiro de obras, exibindo a instalação de janelas resistentes a explosões e a remoção de amianto.