Trump está cada vez mais rejeitado pelos americanos, num contraponto com o Papa Leão, que detém 60% de favorabilidade. (Reproduções)


A aprovação do presidente Donald Trump permanece estagnada no nível mais baixo desde sua posse em 2025, de acordo com uma nova pesquisa Reuters/Ipsos. O levantamento, concluído na segunda-feira (20), revela que apenas 36% dos americanos aprovam o desempenho do republicano, em um momento de isolamento diplomático e desgaste econômico provocado pelo conflito militar com o Irã e por ataques verbais dirigidos ao Papa Leão.

Os dados mostram um declínio acentuado em relação ao início de seu segundo mandato, quando Trump registrou 47% de aprovação logo após a posse, em 20 de janeiro de 2025. Hoje, sua rejeição atinge a marca de 62%.

O governo enfrenta pressão crescente desde que, em conjunto com Israel, iniciou uma guerra contra o Irã em fevereiro. O conflito resultou na disparada dos preços dos combustíveis, afetando diretamente as finanças das famílias americanas. Apenas 26% dos entrevistados aprovam a gestão de Trump sobre o custo de vida, empatando com o pior índice de sua administração.

Crise de temperamento e lucidez

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O levantamento de seis dias, que ouviu 4.557 adultos e possui margem de erro de 2 pontos percentuais, expõe dúvidas persistentes sobre a aptidão do presidente de 79 anos. Após uma série de explosões agressivas, 51% dos americanos afirmam que a lucidez mental de Trump “piorou” no último ano. A preocupação atravessa linhas partidárias: embora 85% dos democratas e 54% dos independentes compartilhem dessa visão, o sentimento é endossado por 14% dos próprios republicanos.

O comportamento do presidente também é questionado sob o prisma do equilíbrio emocional. Apenas 26% da população o considera “equilibrado”. Entre os republicanos, o tema divide a base: 53% acreditam no seu equilíbrio, enquanto 46% discordam. Apenas 7% dos democratas veem o presidente como alguém ponderado.

Nas últimas semanas, Trump utilizou redes sociais para ameaçar a “aniquilação da civilização” iraniana e usou termos profanos ao prometer destruir pontes e usinas elétricas no país. Além disso, o presidente atacou o Papa Leão, chamando-o de “fraco contra o crime” após o pontífice criticar as ações militares no Oriente Médio.

A estratégia parece impopular: o Papa goza de 60% de favorabilidade entre os americanos — índice superior ao de Trump e de figuras democratas como o governador da Califórnia, Gavin Newsom, e a ex-vice-presidente Kamala Harris.

Isolamento internacional

A postura de Trump em relação aos aliados também gera alarme. No início do ano, ele ameaçou usar força militar contra a Dinamarca, parceira da OTAN, devido à recusa do país em permitir a anexação da Groenlândia pelos EUA. Apesar das ameaças frequentes de Trump de abandonar a OTAN, apenas 16% dos americanos apoiam a saída da aliança.

Quanto ao conflito no Irã, a pesquisa indica um apoio limitado:

  • Aprovação dos ataques: 36% (uma oscilação mínima em relação aos 35% registrados em meados de abril).
  • Custo-benefício: Apenas 26% acreditam que a ação militar vale os custos financeiros e humanos.
  • Segurança nacional: 25% acreditam que os ataques tornarão o país mais seguro (incluindo 57% dos republicanos e apenas 6% dos democratas).

    A Casa Branca não respondeu aos pedidos de comentário sobre os dados. O levantamento foi divulgado em um momento crítico, coincidindo com o fim de um frágil cessar-fogo entre Washington e Teerã, previsto para expirar nesta terça-feira.