O Banco Regional de Brasília: um crime cada vez maior e mais cheio de tentáculos. (Foto: Reprodução)


Um relatório interno do Banco de Brasília (BRB) revela que os contratos de cessão de crédito entre o Banco Master e a empresa Tirreno tiveram firma reconhecida apenas dois dias antes de serem apresentados à instituição.

O detalhe reforça as dúvidas sobre a regularidade das operações, avaliadas em R$ 6,3 bilhões e posteriormente revendidas ao BRB por R$ 11,5 bilhões.

As investigações da Polícia Federal apontam que os ativos não tinham lastro — eram carteiras de crédito podres. No total, o BRB teria adquirido cerca de R$ 12 bilhões em títulos sem garantias financeiras, originados da Tirreno e não do Master, como inicialmente informado.

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Operações aceleradas

O relatório, concluído em 19 de maio de 2025, destaca a velocidade incomum das transações: créditos comprados pelo Master eram repassados ao BRB já no dia útil seguinte. Em um caso emblemático, uma operação de R$ 143,6 milhões realizada durante o Carnaval foi revendida por R$ 251,2 milhões na manhã seguinte, na Quarta-feira de Cinzas.

Para os técnicos do BRB, a rapidez na revenda exigiria maior rigor documental e contábil. “A assinatura física e o reconhecimento posterior podem levantar questionamentos quanto à tempestividade e à formalização adequada dos documentos”, registra o parecer.

Contexto da crise

As operações ocorreram semanas antes de o BRB anunciar a intenção de comprar 58% das ações do Banco Master por R$ 2 bilhões. O negócio foi barrado pelo Banco Central, que no mesmo dia decretou a liquidação da instituição e determinou a prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Master.

Em reuniões realizadas entre abril e maio, o Master ocultou a Tirreno como origem dos créditos. Só em uma visita técnica, nos dias 29 e 30 de abril, a equipe do BRB descobriu que os ativos vinham da empresa e não do banco de Vorcaro.