O empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit (antiga refinaria de Manguinhos), foi alvo de uma megaoperação deflagrada pelo Ministério Público, Receita Federal e CIRA/SP (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo) nesta quinta-feira (27) sob a suspeita de liderar um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que teria causado um prejuízo de cerca de R$ 26 bilhões aos cofres públicos.
Magro, que comanda a Refit – apontada como a maior devedora de ICMS em São Paulo e a segunda no Rio de Janeiro –, é frequentemente referido no mercado como o “maior sonegador do Brasil” devido aos seus extensos passivos tributários. O Grupo Refit está em recuperação judicial há uma década, com uma dívida registrada de R$ 11,5 bilhões junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
O Esquema
A operação, batizada de “Poço de Lobato”, cumpriu cerca de 190 mandados de busca e apreensão contra pessoas e empresas ligadas ao grupo, visando desmantelar a organização criminosa. O inquérito aponta que o conglomerado, atuante no setor de combustíveis, utilizava empresas de fachada e operações irregulares para burlar o recolhimento de impostos.
A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens dos investigados em um montante que totaliza aproximadamente R$ 10 bilhões, buscando reverter parte do prejuízo fiscal.
A Versão de Magro
Em entrevistas recentes, Ricardo Magro negou as acusações de sonegação e se declarou vítima de perseguição. O empresário, que reside em Miami (EUA) desde 2016, atribui a pecha de sonegador a uma disputa jurídica e nega a ilegalidade da cobrança de tributos pela Fazenda paulista, que, por sua vez, refuta o argumento.
Magro também rebateu acusações de ligação com o crime organizado, afirmando ser o maior combatente do PCC no setor e que ele e sua família foram ameaçados pelo grupo criminoso após denunciar suas atividades em 2021.
O empresário é formado em Direito, com pós-graduação em Direito Tributário. Além da atuação no ramo de combustíveis, ele revelou ter afinidade com tradições afro-brasileiras, como a Umbanda e a capoeira, e atua como DJ de afro house em sua rotina nos Estados Unidos.


