O governo do Rio de Janeiro dispensou os 30 peritos da Polícia Federal enviados para realizar autópsias nos corpos das vítimas da operação policial que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha.
O envio dos peritos foi uma medida tomada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, após o anúncio do envio da força-tarefa e a criação de um escritório de ação conjunta com o governo fluminense.
A Operação Contenção foi realizada no último dia 28 com o objetivo de desmantelar o Comando Vermelho, facção criminosa que atua em vários pontos da capital do Rio, mas principalmente na Zona Norte da capital fluminense.
A operação resultou em 121 mortes, das quais quatro eram policiais, segundo dados oficiais. A ação já é considerada a mais letal da história do país, superando massacres anteriores como o de Jacarezinho, em 2021.
A decisão de dispensar os peritos federais foi comunicada na noite desta terça-feira, 4, e pegou de surpresa o Ministério da Justiça, que havia anunciado o envio dos profissionais como parte de um esforço para garantir transparência e rigor técnico nas autópsias.
A Defensoria Pública do Estado, que acompanha o caso, afirmou que há corpos que ainda não foram identificados e que a dispensa da PF compromete a credibilidade dos laudos.
O ministro Lewandowski, em nota oficial, lamentou a decisão e reiterou o compromisso do governo federal com a apuração dos fatos.
Já o governador Cláudio Castro defendeu a autonomia do Instituto Médico Legal estadual e afirmou que a presença da PF seria “redundante”.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o governo estadual preserve todos os elementos de perícia e garanta acesso irrestrito à Defensoria Pública.

