O ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga afirmou que considera “absurdo” o risco de reversão da liquidação do banco Master. Ele criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) no caso e disse que não há sentido nas intervenções.
Segundo Arminio, o Banco Central pode ter seu trabalho auditado e revisado, mas não é isso que está acontecendo. “É algo extremamente estranho o que acontece agora. Como esse tema envolve relações de poder em todo o espectro político, parece que tem muita gente querendo assar uma pizza do tamanho do Maracanã”, disse em entrevista ao Estadão.
“Não há nada de interpretativo”
Arminio destacou que os problemas do Master eram conhecidos há anos e que o BC dificilmente erra na avaliação de ativos problemáticos. “Não há nada interpretativo nessa análise, é absolutamente técnica”, afirmou.
Ele lembrou que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) fez 38 alertas sobre o banco e que a situação era terminal. “O que chama atenção é por que demorou tanto tempo para liquidar. É o oposto do que está sendo questionado agora”, disse.
Comparação com o Proer
Arminio assumiu o BC em 1999, poucos anos após o Proer, programa de socorro a bancos. Ele recordou que três dos seis maiores bancos privados quebraram na época — Bamerindus, Econômico e Nacional — e que não houve intervenção do STF ou do TCU.
Impacto institucional
Para o economista, a atuação de outros órgãos sobre decisões técnicas do BC pode fragilizar o sistema financeiro. “Seria um choque para o bom funcionamento do sistema qualquer reversão. Não dá para entender do ponto de vista técnico, só de negócios e interesses”, disse.
Arminio afirmou ainda que a surpresa maior é a entrada do STF no caso. “Os dois me surpreendem, talvez mais o STF”, declarou.
Possibilidade de erro do BC
Ele descartou falha técnica na análise de fraude de R$ 12 bilhões. “O Banco Central vai olhar carteiras com equipes experientes e treinadas. Mais do que difícil, está mais para o impossível”, disse.
Governo e Ministério da Fazenda
Arminio avaliou que o governo Lula e o Ministério da Fazenda não têm muito o que fazer, já que o processo corre em sigilo e o BC é independente.
Questionamentos sobre a liquidação
O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU apontou demora do BC em detectar o problema, enquanto o ministro Jhonatan de Jesus falou em possível precipitação. Arminio rebateu: “A acusação de precipitação é estapafúrdia. A de atraso pode merecer explicações, mas é outra natureza de problema”.
“Golpe no erário”
Para o ex-presidente do BC, a ideia de reabrir o banco não faz sentido. “Não tem como. Quem está arquitetando isso deve estar pensando em dar o golpe no erário”, afirmou.
Ele disse ainda que a rapidez com que o caso avançou, em pleno recesso, causa estranheza. “A possibilidade de reversão da liquidação do Master é absurda”, concluiu.





