O roubo de medicamentos de alto valor, em especial das canetas à base de GLP-1 — substância usada no tratamento de diabetes e obesidade —, elevou custos e riscos na cadeia farmacêutica em meio ao avanço dos crimes contra cargas no país.
Segundo a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), mais de 65 mil unidades foram roubadas em 2025, com prejuízo formal de R$ 70 milhões. Considerando casos não notificados, o impacto pode chegar a R$ 150 milhões.
“Os produtos de GLP-1 são hoje os mais visados pelo valor”, afirma Sérgio Mena Barreto, presidente da entidade. Ele aponta indícios de atuação organizada para revenda no mercado ilegal.
O aumento ocorre em paralelo ao avanço do roubo de cargas. No primeiro semestre de 2025, o valor das mercadorias roubadas em São Paulo somou R$ 70 milhões, alta de 25% em relação ao mesmo período de 2024, segundo relatório da Nstech, empresa de gestão de risco logístico.
O Sudeste ainda concentra a maioria dos casos, mas perdeu participação: caiu de 80,6% no primeiro semestre de 2024 para 62,4% em 2025. São Paulo segue na liderança, com 35,4% do total nacional. O Rio de Janeiro avançou para 21,9%, e o Nordeste ampliou sua fatia para 21,3%.
Levantamento da Associação Brasileira de Distribuidores de Medicamentos Especializados (Abradimex) mostra que metade das transportadoras do setor aumentou em até 20% os investimentos em segurança.
Embora os medicamentos representem parcela pequena das cargas roubadas, o alto valor unitário atrai criminosos. Uma caixa de canetas pode custar entre R$ 10 mil e R$ 30 mil, e uma carga completa ultrapassa R$ 2 milhões.
“O criminoso busca mercadorias de alto valor agregado e fácil escoamento. Em alguns casos, uma única carga de medicamentos equivale a vários caminhões de outros produtos”, afirma Paulo Maia, presidente da Abradimex.
Para reduzir riscos, empresas passaram a usar caminhões blindados, escolta armada e rastreamento em tempo real. A adaptação de um veículo pode custar até R$ 180 mil, além de elevar seguro e frete.
Procuradas, a Novo Nordisk — fabricante de medicamentos como Ozempic e Wegovy — e o Grupo DPSP, controlador das redes Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, informaram que não se manifestariam sobre o tema.




