Empresa foi privatizada recentemente e enfrenta neste ano escassez de água em SP. (Reprodução)


A Sabesp anunciou neste domingo (5) a aquisição de 70,1% do capital da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), em operação que envolve a Eletrobras e a gestora Vórtx. O negócio, avaliado em R$ 1,131 bilhão, marca a entrada da companhia paulista no setor elétrico e amplia sua atuação na gestão integrada de recursos hídricos.

A transação inclui a compra de ações ordinárias detidas pela Phoenix — veículo da Vórtx — e ações preferenciais da Eletrobras. A operação está sujeita à aprovação de autoridades regulatórias e concorrenciais, como Aneel, Arsesp e Cade, além de outras condições suspensivas.

Segundo comunicado da Sabesp, a aquisição permitirá maior sinergia entre os sistemas de abastecimento e geração de energia, especialmente nas represas Billings e Guarapiranga. “A integração dos ativos da Emae ao portfólio da Sabesp reforça nossa estratégia de sustentabilidade e eficiência operacional”, afirmou André Salcedo, presidente da companhia.

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A Emae possui ativos relevantes no setor de geração, com destaque para a usina hidrelétrica Henry Borden, localizada em Cubatão (SP), que tem capacidade instalada de 889 MW. A empresa também opera pequenas centrais hidrelétricas e ativos de geração solar e eólica em fase de desenvolvimento.

A Eletrobras, que detinha 39,5% da Emae, informou que a venda está alinhada à sua estratégia de desinvestimento em ativos não prioritários. “A operação representa um avanço na racionalização do portfólio da companhia”, disse a estatal em nota.

A Phoenix, por sua vez, era responsável por 30,6% das ações ordinárias da Emae. A gestora estruturou o veículo de investimento em parceria com a Vórtx, com foco em ativos de infraestrutura e energia renovável.

A aquisição ocorre em meio ao processo de privatização da Sabesp, aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo em 2023. Desde então, a companhia vem ampliando sua atuação em áreas estratégicas, com foco em ESG e diversificação de receitas.

Analistas avaliam que a entrada da Sabesp no setor elétrico pode gerar ganhos operacionais e financeiros, além de fortalecer a posição da empresa em projetos de transição energética. A expectativa é que a operação seja concluída até o primeiro semestre de 2026, após o cumprimento das etapas regulatórias.