Por Camila Srougi e Germano Oliveira
São Paulo será palco, no próximo dia 24 de janeiro, do 1º Hackathon de Agents de Inteligência Artificial do Brasil. O encontro, organizado pela startup CareCode, acontecerá no Cubo Itaú, um dos principais polos de inovação da capital paulista, e reunirá desenvolvedores, estudantes e entusiastas da tecnologia.
O objetivo é propor soluções inovadoras que aproximem a inteligência artificial das necessidades reais das pessoas, indo além do uso corporativo.
O hackathon terá como foco a criação de agentes de inteligência artificial aplicados ao cotidiano, capazes de resolver problemas comuns enfrentados por cidadãos, como atendimento em call centers, organização de mensagens e gestão de e-mails.
Segundo os organizadores, a proposta é estimular a curiosidade, a experimentação e a formação de profissionais preparados para um mercado cada vez mais impactado pela IA.
Em entrevista ao programa BC TV, do portal Brasil Confidencial, nesta sexta-feira (16), o diretor de tecnologia e produto da startup CareCode, Eduardo Trunci, destacou que a inteligência artificial deve ser vista como um “amplificador de capacidades humanas”, e não como ameaça ao emprego.
A seguir, leia alguns dos principais trechos da entrevista de Trunci:
Camila Srougi – Eduardo, para começar, o que esse primeiro Hackathon de Inteligência Artificial representa para o ecossistema de tecnologia no Brasil? E, afinal, muita gente ainda não sabe exatamente o que é um hackathon. Você pode explicar?
Eduardo Trunci – Claro. O conceito de hackathon vem da mistura de hack com marathon, ou seja, é uma maratona de programação. A ideia é reunir várias pessoas de tecnologia — sejam entusiastas, engenheiros — em um mesmo lugar. Geralmente dura um ou dois dias, muitas vezes virando a noite trabalhando.
Nesse próximo, a gente vai fazer só durante o dia, no sábado, para construir alguma coisa nova. A proposta é ser muito “hack”: fazer coisas diferentes, que não necessariamente precisam funcionar para sempre, mas que funcionem ali, que provem um conceito novo e façam algo diferente. É basicamente um monte de engenheiros tentando construir um monte de coisa legal.
O tema desse hackathon é inteligência artificial, mais especificamente o que chamamos de agentes de IA. Hoje, vemos muitos agentes focados em empresas, no mercado corporativo. O nosso objetivo é criar agentes focados no dia a dia das pessoas.
A ideia é pensar: como criar agentes para resolver dores do cotidiano? Coisas que pessoas comuns precisam resolver, como ligar para um call center, organizar o WhatsApp, gerenciar melhor e-mails. O objetivo é ver quem consegue criar os melhores agentes de IA entre os times que estarão em São Paulo participando.
Camila Srougi – Quando falamos em inteligência artificial, muita gente ainda acha algo distante ou muito técnico. Na prática, que tipo de soluções esse evento busca estimular?
Eduardo Trunci – A gente gosta muito de começar pela dor, não pelo quão técnica é a solução. Um exemplo clássico é ter que ligar para uma empresa de telecomunicações para cancelar um serviço. Às vezes você fica meia hora no telefone.
Ou quando uma passagem aérea é cancelada e você passa dias tentando resolver o reembolso. Então a ideia é: qual é a dor do seu dia a dia que, se você pudesse, colocaria alguém para automatizar?
Se você tivesse um assistente superinteligente trabalhando para você, o que ele faria? Quais tarefas você entregaria para ele? É isso que a gente quer explorar.
Germano Oliveira – O evento vai acontecer no Cubo Itaú. Existe também a expectativa de apresentar robôs ou soluções que resolvam problemas práticos do dia a dia das pessoas e das empresas. Isso também vai acontecer?
Eduardo Trunci – Nosso foco principal é em agentes de IA. Mas, se algum time quiser fazer algo relacionado à robótica ou ao mundo físico, tem total liberdade.
No geral, nosso foco está em telefonia, voz, mensageria, e-mails, comunicação e atividades que você consiga executar no seu próprio ambiente de trabalho.
Um exemplo são empresas parceiras como a Eleven Labs, líder mundial em geração de voz com IA; a Resend, empresa brasileira focada em gestão de e-mails; a Blackbox AI, que trabalha com geração de agentes conectados a múltiplos sistemas; além da Vercel, que também oferece ferramentas para construção de agentes e sites com inteligência artificial.
Germano Oliveira – Eduardo, a CareCode também atua fortemente na área hospitalar. Como funcionam esses sistemas? Eles substituem o atendimento humano?
Eduardo Trunci – Ótima pergunta. Vou dividir em dois lados. Do lado do hospital, clínica ou consultório, a gente automatiza o que chamamos de front office, que são conversas não clínicas com os pacientes.
Isso inclui agendamento, cancelamento, confirmação, reagendamento, tudo de forma rápida, inteligente e integrada aos sistemas. Em uma clínica, por exemplo, os recepcionistas operam WhatsApp, telefone e ainda atendem presencialmente os pacientes.
Do lado do paciente, a CareCode libera tempo do front office para que as pessoas cuidem de atividades que trazem mais valor. Em vez de a secretária estar no telefone, ela pode estar totalmente disponível para atender quem está ali presencialmente.
Além disso, se o paciente quiser agendar uma consulta de madrugada, no sábado, o sistema responde. Não precisa esperar horário comercial. Isso traz vantagem tanto para o paciente quanto para o provedor de saúde.
📺 A entrevista completa está disponível no canal BC TV:
Time de destaque será selecionado para o programa Puentes, na Califórnia

O 1º Hackathon de AI Agents do Brasil reunirá cerca de 70 engenheiros de software e especialistas em inteligência artificial para um dia de desenvolvimento prático e apresentações de projetos.
Organizado pela Carecode, em parceria com o fundo Antigravity Capital, o hackathon integra o programa Puentes, que conecta talentos latino-americanos ao ecossistema de startups e investidores do Vale do Silício.
Os participantes serão selecionados por candidatura. O evento é voltado a profissionais com experiência técnica comprovada em agentes de IA ou projetos próprios. O objetivo é criar soluções aplicáveis ao cotidiano, com demonstrações ao vivo e oportunidades de networking.
A premiação inclui US$ 2.500 para o primeiro lugar, US$ 1.000 para o segundo e US$ 500 para o terceiro.
Um dos times será convidado para entrevistas aceleradas no próximo ciclo do programa Puentes, em San Francisco, na Califórnia, Estados Unidos. Também haverá prêmios adicionais, como AirPods e assinaturas de ferramentas de inteligência artificial.
O júri reunirá executivos e engenheiros de empresas de tecnologia, incluindo Eduardo Trunci (Carecode), Lucas da Costa (Resend) e José Miguel Noblecilla (Valor Capital). Patrocinadores como Resend, ElevenLabs, Vercel, Valor Capital e NXTP oferecerão desafios e reconhecimento aos projetos.
O hackathon será presencial. Os participantes devem levar notebook e carregador. As regras estão disponíveis em: Regras
📌 Serviço
Data: 24 de janeiro (sábado)
Local: Cubo Itaú – Alameda Vicente Pinzon, 54, Vila Olímpia, São Paulo
Formato: presencial, com cerca de 70 vagas por candidatura
Mais informações: www.carecode.ai
San Francisco é epicentro global de IA

A prefeita London Breed reafirmou nesta semana, em conferência internacional de tecnologia, que a cidade de San Francisco, na Califórnia, é o epicentro mundial da inteligência artificial. O discurso reforça a posição da cidade norte-americana como polo de inovação, mesmo diante de desafios econômicos locais.
Segundo dados de mercado, cerca de 22% das vagas de emprego em IA nos Estados Unidos estão concentradas em empresas sediadas na região.
Startups e gigantes da tecnologia mantêm escritórios em San Francisco, que se tornou referência global em pesquisa e desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.
Breed destacou que a expansão da IA é vista como motor de recuperação econômica. Após a pandemia, San Francisco enfrentou altas taxas de vacância em escritórios e retração no comércio. A aposta em tecnologia é considerada estratégica para revitalizar o centro urbano e atrair novos investimentos.
Especialistas apontam que a cidade disputa protagonismo com outros polos, como Nova York, Toronto e Londres, mas ainda lidera pela densidade de talentos e pelo ecossistema de inovação.
Projeções indicam que a indústria de IA generativa pode movimentar US$ 1,3 trilhão nos próximos dez anos, consolidando San Francisco como referência mundial.


