Um levantamento da NSC TV realizado junto à Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina e às prefeituras dos maiores municípios catarinenses revelou o descarte de mais de 1 milhão de doses de vacinas nos últimos três anos. O desperdício ocorreu, principalmente, devido à baixa adesão da população às campanhas de imunização, além de dificuldades no armazenamento e validade expirada.
Especialistas da área da saúde alertam que essa situação representa não apenas um prejuízo financeiro para o estado, mas também um risco sanitário. A baixa cobertura vacinal aumenta a exposição da população a doenças que poderiam ser prevenidas, elevando o risco de surtos e epidemias. Apesar das campanhas de conscientização, o desafio de aumentar as taxas de imunização permanece.
A logística de armazenamento e distribuição dos imunizantes também contribui para o desperdício. Algumas vacinas exigem temperaturas específicas para garantir sua eficácia, e qualquer falha nesse controle pode comprometer seu uso. Além disso, a baixa procura faz com que muitas doses expirem antes de serem utilizadas, tornando o descarte inevitável.
Diante desse cenário, autoridades da saúde defendem estratégias mais eficazes para ampliar a adesão da população. “Investir em comunicação clara, combater a desinformação e melhorar a logística de distribuição são medidas fundamentais para evitar o desperdício e garantir a imunização”, afirmam gestores da área.
João Augusto Fuck, diretor de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, ressalta que o engajamento da população é essencial para o sucesso da vacinação no estado. “O comprometimento de cada indivíduo na busca pela imunização não apenas protege a si próprio, mas também contribui para a segurança coletiva”, destaca.
Além do impacto na saúde pública, o desperdício de vacinas gera prejuízos financeiros. Cada dose representa um investimento do setor público e da sociedade, e sua perda significa recursos que poderiam ser direcionados para outras áreas essenciais. Por isso, fortalecer a conscientização sobre a importância da vacinação é crucial para garantir que os imunizantes cheguem a quem realmente precisa.
O caso de Santa Catarina serve como um alerta para outros estados do país. A queda na taxa de vacinação é uma preocupação nacional, e estratégias eficazes devem ser discutidas e implementadas em todo o Brasil. Somente com a colaboração entre governos, profissionais da saúde e a população será possível reverter esse cenário e assegurar que as vacinas cumpram seu papel na proteção coletiva.
Saúde SC alerta para aumento de casos por doenças respiratórias nas últimas semanas e reforça vacinação
As mudanças climáticas típicas do outono, com temperaturas mais baixas, associado aos hábitos neste período, favorecem uma maior circulação dos vírus respiratórios. Essa condição tem impactado no aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com destaque para a influenza, em Santa Catarina. Por conta disso, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) alerta a população, principalmente os grupos prioritários – crianças, gestantes e idosos -, a buscar a vacina contra a gripe para reduzir o risco de complicações graves da doença. As doses seguem disponíveis nos postos de saúde.
De acordo com os dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) foram registrados 962 casos de SRAG por influenza no estado e 95 óbitos no ano de 2025. Apesar dos números serem menores quando comparado ao mesmo período do ano de 2024, há um aumento de casos desde o final do mês de abril. Esse aumento pode continuar nas próximas semanas, considerando a chegada do frio mais intenso.
“Diante do cenário, reforçamos a importância da vacinação contra a gripe como principal estratégia de prevenção. A campanha de imunização foi ampliada no Estado desde o dia D para toda a população catarinense a partir dos 6 meses de idade. O foco é continuar a imunizar a população, principalmente dos grupos prioritários, que registra a cobertura vacinal de 40,57% apenas, e são os mais acometidos pela doença. Queremos evitar as internações e o agravamento das doenças respiratórias”, ressalta o diretor da DIVE, João Augusto Fuck.
A vacinação anual é a forma mais eficaz de prevenir a gripe e suas consequências. Isso ocorre porque o vírus da influenza sofre constantes mutações, o que torna necessário atualizar a vacina todos os anos para garantir a proteção contra as cepas mais recentes.
Além disso, as medidas não farmacológicas também ajudam a evitar a propagação do vírus, como a higienização frequente das mãos, o uso de máscaras em ambientes fechados e a busca por atendimento médico ao surgirem sinais de agravamento respiratório.
Atenção para os sintomas
Ao apresentar febre, tosse, dor de garganta e dores nas articulações, musculares ou de cabeça, é fundamental procurar o serviço de saúde mais próximo da residência para o tratamento adequado. Os grupos de risco, entre eles idosos, crianças, gestantes, doentes crônicos, têm maior probabilidade de apresentar complicações quando infectados pelos vírus respiratórios.
Medidas de prevenção
- Vacinação anual;
- Lavar as mãos com frequência;
- Usar máscara em casos de pessoas sintomáticas;
- Evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas;
- Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
- Evitar tocar mucosa de olhos, nariz e boca;
- Manter superfícies e objetos que entram em contato frequente com as mãos, como mesas, teclados, maçanetas e corrimãos limpos com álcool;
- Não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres.





