Fumaça sai do edifício da sede do governo da Ucrânia, em Kiev. (Foto: Redes Sociais)


A sede do governo da Ucrânia em Kiev pegou fogo após ser alvo de uma intensa onda de bombardeios russos durante a madrugada de domingo (7), que resultou na morte de pelo menos cinco pessoas.

“Pela primeira vez, o telhado e os andares superiores do edifício governamental foram atingidos por um ataque inimigo”, declarou a primeira-ministra Yulia Svyrydenko em publicação no Telegram, acompanhada de imagens que mostram um incêndio na fachada do prédio, situado nas proximidades da Presidência e do Parlamento.

Durante a noite, sirenes de alerta aéreo soaram em diversas regiões do país. Kiev foi alvo de um ataque maciço com drones e mísseis, que deixou ao menos dois mortos e 18 feridos, segundo informações dos serviços de emergência. Vários edifícios residenciais também foram atingidos, e entre as vítimas está uma menina de apenas um ano.

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“O mundo precisa reagir a essa destruição não apenas com declarações, mas com medidas concretas. É urgente intensificar as sanções, especialmente contra o setor de petróleo e gás da Rússia”, afirmou a primeira-ministra, que também reiterou o pedido por mais armamentos.

No final de agosto, uma ofensiva russa de grande escala com drones e mísseis sobre Kiev matou mais de 25 pessoas e danificou as instalações da delegação da União Europeia e o escritório do British Council. Apesar da escalada dos ataques, os edifícios oficiais da capital vinham sendo, em grande parte, poupados dos bombardeios que assolam o território ucraniano há três anos e meio.

Na noite de sábado (6), outras regiões também foram alvo de ataques russos. Em Dnipropetrovsk, o governador militar Sergei Lysak informou que um homem de 54 anos morreu e que infraestruturas civis foram danificadas em uma ofensiva que também envolveu drones e mísseis. Autoridades locais relataram ainda a morte de uma mulher em Zaporíjia, no sudeste do país, após um ataque com bombas aéreas guiadas na manhã de domingo, e o falecimento de outra pessoa na região fronteiriça de Sumy, no nordeste, na noite de sábado.

Avanço militar russo

As forças russas atualmente ocupam cerca de 20% do território ucraniano. As últimas semanas foram marcadas por intensa movimentação diplomática em busca de uma solução para o conflito. Entre os encontros, destaca-se a cúpula realizada em 15 de agosto entre Donald Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, no Alasca, seguida por uma visita a Washington do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, acompanhado por diversos líderes europeus.

Apesar dos esforços, nenhum avanço significativo foi alcançado, e Moscou continua a rejeitar os apelos por um cessar-fogo, mesmo após três anos e meio do conflito que mais deixou vítimas na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Na quinta-feira (4), em Paris, vinte e seis países — em sua maioria europeus — comprometeram-se a contribuir com garantias de segurança à Ucrânia, visando prevenir um possível novo ataque russo após uma eventual suspensão das hostilidades.

No mesmo dia, Donald Trump anunciou que pretende se reunir em breve com Vladimir Putin.