O presidente Donald Trump intensificou a retórica contra Teerã nesta segunda-feira, afirmando que os Estados Unidos teriam capacidade de “tomar” a totalidade do Irã em um único dia. A declaração ocorre poucas horas antes do encerramento de um ultimato dado ao regime iraniano para que reabra o Estreito de Ormuz.
O prazo estabelecido pelo presidente expira hoje, às 20h (horário da costa leste dos EUA). A escalada ocorre após um fim de semana marcado pelo resgate de um militar americano e pelo colapso de uma proposta multilateral de cessar-fogo.
“O país todo poderia cair; poderia ser tomado em uma noite. E essa noite pode ser hoje”, declarou Trump a repórteres ao comentar o resgate do tripulante do F-15 abatido na última quinta-feira.
Diplomacia fracassada e tensão militar
A retórica mais agressiva coincide com a rejeição, por ambos os lados, de uma proposta de trégua de 45 dias, mediada pela Turquia, Egito e Paquistão. Trump classificou a oferta como “insuficiente”, enquanto o governo iraniano reiterou que só aceitará negociar o fim definitivo das hostilidades.
O impasse concentra-se no Estreito de Ormuz, rota vital para o mercado global de energia. Em mensagens publicadas em sua rede social no domingo, o presidente exigiu a reabertura do canal, utilizando linguagem de baixo calão e ameaçando o regime com represálias severas caso a ordem seja descumprida.
O incidente com o F-15, ocorrido no fim de fevereiro, representa o primeiro caso confirmado de perda de uma aeronave tripulada dos EUA em território inimigo no conflito atual. O diretor da CIA, John Ratcliffe, confirmou na segunda-feira que a agência coordenou uma operação de desinformação para viabilizar o resgate do segundo tripulante, que permaneceu 40 horas escondido em terreno montanhoso.
Trump alegou que a missão de resgate foi comprometida por um vazamento de informações e prometeu responsabilizar os envolvidos pela exposição da localização do militar.
Implicações legais e humanitárias
A Casa Branca indicou que alvos de infraestrutura civil, incluindo usinas elétricas, pontes e instalações de dessalinização, podem ser incluídos em futuros planos de ataque. A administração sustenta que tais locais possuem “duplo uso”, servindo também a propósitos militares, o que, segundo o governo, os tornaria alvos legítimos.
Especialistas em direito internacional, contudo, alertam que tais ataques poderiam configurar crimes de guerra sob as Convenções de Genebra. A destruição das redes de energia afetaria serviços essenciais como hospitais, armazenamento de alimentos e sistemas de abastecimento de água para a população civil.
Questionado na segunda-feira sobre potenciais violações do direito internacional, Trump ignorou as preocupações legais, rotulou a liderança iraniana de “animais” e citou a repressão a manifestantes pelo regime.
“Espero não ter de fazer isso”, afirmou Trump. “Mas não vou permitir que eles sejam poderosos e ricos, e que tenham armas nucleares.”
A reação de Teerã
O Irã manteve uma postura desafiadora diante do ultimato americano. Ebrahim Zolfaghari, porta-voz militar, advertiu que qualquer ataque contra alvos civis resultará em uma retaliação “mais devastadora e abrangente”.
“Se os ataques contra alvos civis se repetirem, as fases subsequentes de nossas operações retaliatórias serão realizadas com força ainda maior”, afirmou Zolfaghari em comunicado oficial.



