O Senado dos Estados Unidos avançou nesta terça-feira (19) com um projeto de lei que pode obrigar o presidente Donald Trump a retirar o país da guerra contra o Irã. A medida representa uma derrota política para a Casa Branca e expõe divisões crescentes dentro do Partido Republicano sobre a continuidade do conflito.
A tramitação do projeto ganhou força após o senador republicano Bill Cassidy, da Louisiana, mudar de posição e votar a favor do avanço da proposta. O placar terminou em 50 votos a 47.
A mudança de postura ocorreu dias depois de Cassidy sofrer uma derrota nas eleições primárias republicanas, após Trump declarar apoio ao adversário do senador. Após o resultado, Cassidy afirmou que passará a analisar com mais cautela as prioridades do governo.
Desde o início da ofensiva militar contra o Irã, autorizada por Trump no fim de fevereiro, parlamentares democratas vêm pressionando por votações relacionadas aos poderes de guerra do presidente. As resoluções exigem que a Casa Branca obtenha autorização formal do Congresso para manter a participação militar dos Estados Unidos no conflito.
Até agora, os republicanos conseguiam barrar as propostas. No entanto, o avanço desta terça-feira mostrou que parte do partido passou a demonstrar preocupação com os impactos políticos e econômicos da guerra.
O texto ainda precisará passar por uma votação final no Senado, mas a data ainda não foi definida. A ausência de alguns senadores republicanos na sessão desta terça também pode influenciar o resultado da próxima etapa.
Nos bastidores, aliados de Trump tentam conter o desgaste causado pela guerra, que provocou aumento nos preços da gasolina e queda na popularidade do presidente. Analistas avaliam que o conflito pode influenciar diretamente as eleições legislativas de novembro.
Enquanto isso, Trump voltou a adotar um tom duro em relação ao Irã. Em entrevista recente, o presidente afirmou que “talvez” volte a atacar o país caso as negociações diplomáticas fracassem.



