Renan Calheiros disse que o presidente do BC prometeu colaborar, (foto: EBC)


O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, recebeu na quarta-feira (4) um grupo de senadores que pediu informações e apoio técnico sobre o escândalo envolvendo o Banco Master. A reunião marcou o início dos trabalhos da subcomissão criada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para acompanhar as investigações.

Segundo o senador Renan Calheiros (MDB-AL), os parlamentares solicitaram acesso a dados e assessoramento do BC. Ele afirmou que a conversa foi positiva, mas não houve convite para que Galípolo compareça à CAE. O presidente do BC se comprometeu a encaminhar as informações solicitadas, dentro dos limites legais.

Renan destacou que a comissão pretende organizar uma linha do tempo dos acontecimentos para identificar quem comunicou o quê e avaliar a extensão dos crimes atribuídos aos diretores do Master. O senador também defendeu que a apuração sirva de base para ajustes regulatórios, com o objetivo de evitar fraudes futuras.

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Um dos pontos levantados foi o papel do BC na tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Reportagem publicada pelo jornal O Globo apontou que o diretor de Fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino, teria pressionado o BRB a adquirir o banco. Renan disse que quer esclarecer se houve mensagens nesse sentido e reforçou que apenas os fatos poderão afastar suspeitas.

O senador também cobrou transparência do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os documentos da investigação conduzida pelo ministro Dias Toffoli. Para ele, a divulgação é necessária para garantir confiança na integridade das provas.

A subcomissão da CAE é formada por 12 senadores titulares e quatro suplentes. Além de Renan, participam Eduardo Braga (MDB-AM), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Leila Barros (PDT-DF), Damares Alves (Republicanos-DF), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), entre outros. O grupo tem poder para convocar autoridades, solicitar dados sigilosos com autorização do plenário do Senado e propor mudanças legislativas.

Na próxima semana, estão previstas reuniões com o presidente do STF, Edson Fachin, e com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Já na terça-feira (3), Renan se encontrou com ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), onde, segundo ele, houve pressão para questionar a liquidação extrajudicial do Master decretada pelo BC.

O Banco Central determinou a liquidação em novembro, alegando grave crise de liquidez e violações às normas do sistema financeiro. O Master havia ganhado destaque nos últimos anos com uma estratégia agressiva de crescimento. Em 2024, o BRB anunciou intenção de compra, mas a operação foi barrada em setembro de 2025 pelo BC.