Cítricos produzidos pelo Brasil: campeão mundial. (Foto: Divulgacão)


Com a aplicação da tarifa de 50% pelos Estados Unidos, o Brasil pode perder cerca de US$ 1 bilhão em exportações de carne bovina em 2025. A estimativa é da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), feita nesta terça-feira (29).

O setor de sucos cítricos também será afetado. Segundo a CitrusBR, as perdas podem chegar a R$ 4,3 bilhões por ano.

Carne bovina

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“Essa tarifa torna as vendas inviáveis”, disse Roberto Perosa, diretor da Abiec. Segundo ele, as exportadoras brasileiras esperavam embarcar 400 mil toneladas de carne bovina para os Estados Unidos até o fim do ano.

Não há alternativa imediata. “Nenhum outro mercado absorve esse volume com os mesmos preços”, afirmou Perosa.

Os frigoríficos JBS e Marfrig estão entre os associados da Abiec. No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 181 mil toneladas de carne bovina aos EUA. O valor foi de US$ 1 bilhão, segundo dados oficiais.

Os Estados Unidos compram 12% do volume total de carne bovina exportado pelo Brasil. A China representa 48%, conforme dados do Ministério da Agricultura.

Sucos cítricos

O impacto sobre o suco de laranja pode chegar a US$ 792 milhões por safra. A projeção é da CitrusBR, baseada em dados da Secex.

A nova taxa deve entrar em vigor em 1º de agosto. O valor representa um aumento de 456% em relação aos impostos da safra 2024/25, que somaram US$ 142,4 milhões.

Segundo a CitrusBR, os EUA foram o segundo maior destino do suco de laranja brasileiro em 2024/25, com 41,7% de participação. Foram exportadas 307.673 toneladas, equivalentes a US$ 1,31 bilhão.

O cálculo inclui todas as tarifas aplicadas ao acesso ao mercado norte-americano. Com elas, o setor deve pagar até US$ 1,3 bilhão em tributos nos principais mercados de exportação.

Além dos EUA, o levantamento inclui União Europeia, Canadá, Japão, China, Reino Unido, Noruega, Suíça e Rússia.

Se a tarifa de 50% substituir a taxa de 10% em vigor desde abril, o impacto será de US$ 635 milhões por safra — uma alta de 345,8%.