O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, criticou duramente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após declarações em que o republicano minimizou a atuação das tropas da OTAN no Afeganistão. Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que os aliados “ficaram na retaguarda” durante o conflito, o que gerou indignação entre militares, políticos e familiares de soldados britânicos mortos na guerra.
“Essas declarações são insultantes e, francamente, espantosas. Não me surpreende que tenham causado tanto sofrimento às famílias dos que foram feridos ou morreram. O presidente Trump deveria se desculpar”, disse Starmer.
A reação ganhou força com o príncipe Harry, que serviu como piloto de helicóptero no Afeganistão. “Fiz amigos para a vida e perdi amigos lá. O Reino Unido teve 457 soldados mortos. Milhares de vidas mudaram para sempre. Esses sacrifícios devem ser lembrados com verdade e respeito”, afirmou em comunicado.
Horas antes, Trump havia ironizado a disposição dos aliados da OTAN em apoiar os EUA em caso de necessidade. O Reino Unido enviou tropas ao Afeganistão após os atentados de 11 de setembro de 2001, e 457 militares britânicos morreram no conflito.
A líder conservadora Kemi Badenoch também reagiu: “Tropas britânicas, canadenses e da OTAN combateram e morreram ao lado dos EUA por 20 anos. Isso é um fato. O sacrifício merece respeito, não ser denegrido”. Já Ed Davey, líder dos liberais-democratas, lembrou que Trump evitou o serviço militar em cinco ocasiões: “Como se atreve a questionar o sacrifício de nossos soldados?”.
O governo britânico, inicialmente, adotou tom moderado. “Estamos orgulhosos de nossas Forças Armadas e nunca esqueceremos seu serviço e sacrifício”, disse o porta-voz de Downing Street. Mas familiares e veteranos exigiram postura mais firme. Lucy Aldridge, mãe de William Aldridge, soldado morto aos 18 anos, afirmou: “Chegou a hora de parar de alimentar o ego de Trump. O primeiro-ministro deve exigir desculpas”.
Doug Beattie, ex-capitão do Exército e líder unionista do Ulster, também cobrou reação pública de Starmer: “Trump insultou todos que serviram no Afeganistão. Se o primeiro-ministro não enfrentar isso, mostrará fraqueza”.
A Casa Branca, por sua vez, defendeu o presidente. “A contribuição dos EUA para a OTAN supera a de outros países. O compromisso de aumentar o gasto militar fortalece a defesa europeia”, disse a vice-secretária de imprensa, Anna Kelly, sem responder diretamente às críticas sobre o Afeganistão.


