Fábrica da Stellantis no México, cuja produção está sendo suspensa a partir de agora, junto com a unidade canadense. (Foto Stellantis)


A Stellantis, controladora da Europa de marcas como a Jeep, Chrysler e Ram, está interrompendo temporariamente a produção de carros em suas fábricas de montagem no México e Canadá, um dia após as novas tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre importações de veículos entrarem em vigor. A medida foi anunciada via e-mail pelo chefe da Stellantis na América do Norte, Antonio Filosa, nesta quinta-feira, 3.

“As ações podem impactar os funcionários que trabalham em instalações de fabricação de peças nos EUA que fornecem componentes para as duas operações de montagem”, escreveu Filosa no informativo.

As fábricas impactadas produzem a minivan Chrysler Pacifica e o SUV Jeep Compass, que são vendidos em território norte-americano.

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Segundo o representante da Stellantis, as novas tarifas exigem “resiliência e disciplina coletiva” para superar o “momento desafiador”. “Nos adaptaremos rapidamente a essas mudanças de política e protegeremos nossa empresa, manteremos nossa vantagem competitiva e continuaremos entregando ótimos produtos aos nossos clientes”, acrescentou. Fonte: Dow Jones Newswires.

CONTRAÇÃO COMERCIAL

A Organização Mundial do Comércio (OMC) manifestou preocupação com as medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos na quarta-feira, 2, alertando para possíveis efeitos negativos no fluxo comercial internacional. Em comunicado, a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que a entidade está “monitorando e analisando de perto” as decisões, que podem reduzir o comércio global em até 1% em 2025.

“As estimativas iniciais sugerem que essas medidas, somadas às introduzidas desde o início do ano, podem levar a uma contração de cerca de 1% nos volumes de comércio de mercadorias este ano”, disse Okonjo-Iweala. A projeção representa uma revisão para baixo de quase quatro pontos porcentuais em relação às previsões anteriores. A diretora destacou ainda o risco de uma “guerra tarifária”, com medidas retaliatórias que agravariam a queda.

Okonjo-Iweala lembrou que a OMC foi criada para atuar em momentos como este, funcionando como “plataforma de diálogo” e buscando evitar a escalada de conflitos. “Encorajo os membros a utilizarem este fórum para soluções cooperativas”, concluiu.