O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu, em 17 de março, um inquérito da Polícia Federal que apura acusações de perseguição e ameaças atribuídas ao empresário Nelson Tanure, investigado no caso do Banco Master.
O pedido foi feito pelo gestor de fundos Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital, que afirma ter sido alvo de intimidações ligadas ao grupo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Tanure, conhecido por reestruturar empresas em crise nos setores de energia, telecomunicações, petróleo, saúde e mídia, foi alvo de busca e apreensão em janeiro, na segunda fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de ser sócio oculto do Master. Ele nega qualquer vínculo societário com o banco.
Disputa judicial
Timerman acusa Tanure de coação desde 2023 e sustenta que reuniu provas contra o empresário antes de sua entrada no radar das autoridades. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado, em 18 de março, reiterou que Tanure seria o “poder oculto” por trás do Master.
O gestor afirma ter sofrido assédio judicial, monitoramento e ameaças semelhantes às praticadas pela chamada “Turma de Vorcaro”, grupo que, segundo a PF, usava aplicativos de mensagens para planejar intimidações, ataques virtuais e invasões a sistemas oficiais.
O juiz Caio Greggio, da 4ª Vara Federal de São Paulo, acolheu o pedido de Timerman para que o caso fosse remetido ao STF. O relator do processo, ministro André Mendonça, decidirá se o inquérito será anexado às demais investigações que apuram fraudes financeiras e manipulação de mercado envolvendo o Master e aliados de Vorcaro.
Histórico das acusações
Timerman já havia denunciado Tanure por suposto insider trading em ações da Alliar e por irregularidades na Gafisa. Em resposta, o empresário moveu processos contra o gestor, alegando difamação.
Vorcaro também processou Timerman em casos semelhantes, mas foi derrotado em ao menos uma ação. Em outro episódio, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, representou Vorcaro e o Master em uma queixa-crime contra Timerman, posteriormente arquivada pelo TJ-SP.
O que dizem as defesas
Em nota, a assessoria de Tanure afirmou que Timerman “não tem credibilidade” e que o empresário “jamais foi sócio, controlador ou beneficiário do Banco Master”.
A defesa de Timerman confirmou a existência da investigação e declarou que o gestor não possuía antecedentes criminais antes das denúncias contra Tanure.


