O ex-presidente do BRB Paulo Hednrique Costa. (Foto: Reprodução)


A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) encerra nesta sexta-feira, 24, o julgamento que definirá se permanecem presos o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro, apontados como peças centrais em um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master.

Votos já proferidos

Até o momento, o placar é de 2 a 0 pela manutenção da prisão preventiva. O relator, ministro André Mendonça, e o ministro Luiz Fux sustentaram que medidas alternativas seriam insuficientes diante da complexidade do caso. Mendonça destacou que os investigados teriam capacidade de influenciar pessoas, documentos e fluxos financeiros, além de manter atos de lavagem em curso.

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Ainda faltam os votos de Nunes Marques e Gilmar Mendes. O ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito, por envolvimento indireto do Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro.

Contexto da operação

As prisões ocorreram na 4ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Procuradoria-Geral da República. A investigação aponta crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo gestão fraudulenta, corrupção e organização criminosa.

Segundo os investigadores, imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília — avaliados em R$ 146,5 milhões — teriam sido usados para ocultar a origem ilícita dos recursos. Empresas de fachada teriam servido como instrumentos para mascarar transações e vantagens indevidas.

Defesa

A defesa de Paulo Henrique Costa sustenta que não houve tentativa de obstrução às investigações. O advogado afirma que o ex-presidente colaborou com as autoridades, entregou voluntariamente o passaporte e compareceu a todos os atos processuais. Argumenta ainda que os bens citados pela Polícia Federal não pertencem a Costa, o que, segundo ele, enfraquece a acusação de ocultação patrimonial.

Impacto no BRB

Costa assumiu a presidência do BRB em 2019 e conduziu negociações para aquisição de ativos do Banco Master. A operação, considerada arriscada, resultou em uma crise financeira na instituição, que hoje precisa provisionar cerca de R$ 8,8 bilhões.

Em novembro de 2025, Costa foi afastado do cargo pela Justiça. Em depoimento à PF, negou que a compra de carteiras tivesse como objetivo salvar o Master, defendendo que se tratava de uma estratégia para ampliar a competitividade do BRB.