Os mercados de ações subiram significativamente, à medida que as duas maiores potências econômicas do mundo recuaram de um confronto que vinha abalando a economia global. Um acordo de redução drástica do tarifaço foi anunciado nesta segunda-feira e é válido por 90 dias inicialmente.
Os índices futuros de Nova York operam em forte alta nesta segunda-feira (12), após EUA e China anunciarem a redução temporária de tarifas durante negociações realizadas no fim de semana na Suíça.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que as negociações com a China foram “muito produtivas” e que ambos os países concordaram em cortar as tarifas de “reciprocidade” em 115% por 90 dias. Isso reduz as tarifas americanas sobre produtos chineses para 30% e as tarifas chinesas sobre importações americanas para 10%.
As bolsas chinesas fecharam em alta nesta segunda-feira (12), e o yuan atingiu o maior valor em seis meses, após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e China para reduzir tarifas recíprocas por 90 dias. O entendimento, selado durante negociações no fim de semana em Genebra, representa um avanço significativo nas relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo.
O índice CSI 1000, da China, subiu 1,40%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 3,12%. O yuan onshore avançou para 7,2001 por dólar e a versão offshore subiu mais de 0,5%.
De acordo com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, o acordo prevê a redução das tarifas recíprocas em 115 pontos percentuais. “Estou feliz em informar que fizemos progressos substanciais entre os Estados Unidos e a China nas importantíssimas negociações comerciais”, declarou Bessent. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse que as diferenças “não são tão grandes quanto se pensava”.
Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, afirmou que os dois países aceitaram suspender suas respectivas tarifas por 90 dias e dariam continuidade às negociações iniciadas neste fim de semana. Pelo acordo, os Estados Unidos vão reduzir a tarifa sobre as importações chinesas de 145% para 30%, enquanto a China reduziria o imposto de importação sobre produtos americanos de 125% para 10%.
Greer e o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciaram as reduções tarifárias em uma entrevista coletiva em Genebra.
Os dois adotaram um tom positivo ao afirmar que os países estabeleceram consultas para continuar discutindo as questões comerciais.
Bessent disse, após dois dias de conversas, que os níveis tarifários tão altos representavam praticamente um bloqueio total às mercadorias de ambos os lados — algo que nenhum dos países deseja.
“O consenso de ambas as delegações neste fim de semana é que nenhum dos lados quer um desacoplamento,” afirmou Bessent. “E o que estava ocorrendo com essas tarifas muito altas… era um embargo, o equivalente a um embargo. E nenhum dos lados quer isso. Queremos comércio. Queremos um comércio mais equilibrado. E acredito que ambos os lados estão comprometidos com isso.”
“Interesses comuns do mundo”
O Ministério do Comércio da China classificou o acordo como um passo importante para a resolução das divergências entre os dois países e disse que ele estabelece as bases para uma cooperação futura.
“Essa iniciativa está alinhada com as expectativas de produtores e consumidores de ambos os países e serve aos interesses de ambas as nações, assim como aos interesses comuns do mundo”, afirmou o ministério chinês em nota.
O comunicado acrescentou que a China espera que os EUA deixem de lado “a prática errônea de aumentos tarifários unilaterais” e colaborem com a China para proteger o desenvolvimento das relações econômicas e comerciais, trazendo mais certeza e estabilidade à economia global.
O impacto total das tarifas e penalidades comerciais aplicadas por Washington e Pequim ainda é incerto. Muito dependerá de as duas partes conseguirem superar as diferenças históricas durante a suspensão de 90 dias.
Mas o fato de as maiores economias do mundo recuarem de medidas que poderiam causar grandes perturbações no comércio global animou os investidores.
Os futuros do S&P 500 subiram 2,6% e os do Dow Jones, 2%. O preço do petróleo disparou mais de US$ 1,60 por barril, e o dólar americano ganhou força frente ao euro e ao iene japonês.
Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, comemorou a notícia, mas alertou para a cautela. Segundo ele, as tarifas foram apenas suspensas por 90 dias, e há grande incerteza sobre o que pode acontecer depois.
“As empresas precisam de previsibilidade para manter operações normais e tomar decisões de investimento. A Câmara espera, portanto, que ambos os lados continuem o diálogo para resolver as diferenças e evitar medidas que prejudiquem o comércio global e causem danos colaterais a terceiros”, disse Eskelund em comunicado.
Histórico
No mês passado, o presidente norte-americano, Donald Trump, elevou as tarifas dos EUA sobre a China para um total de 145%, e a China respondeu com uma tarifa de 125% sobre produtos americanos. Tarifas tão altas equivalem, na prática, a um boicote mútuo, interrompendo um comércio bilateral que no ano passado superou os US$ 660 bilhões.
O anúncio dos EUA e da China impulsionou as bolsas, com futuros americanos subindo mais de 2%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu quase 3%, e os principais índices da Alemanha e da França registraram alta de 0,7%.
O governo Trump impôs tarifas a diversos países, mas o confronto com a China tem sido o mais intenso. Entre as tarifas americanas está uma taxa de 20% destinada a pressionar Pequim a conter o envio de fentanil sintético aos EUA.
Os 125% restantes referem-se a uma disputa iniciada ainda no primeiro mandato de Trump, somando-se às tarifas já impostas anteriormente, o que faz com que os impostos sobre alguns produtos chineses ultrapassem os 145%.
As bolsas europeias operam em alta na manhã desta segunda-feira, com destaque para ações de mineração, do setor de luxo e de petróleo, após EUA e China revelarem detalhes de um acordo comercial negociado nos últimos dias.
Por volta das 6h25 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,98%, a 543.23 pontos. Apenas o subíndice de mineração saltava 6,15%, enquanto o do setor de bens de luxo subia 5,15% e o de petróleo e gás tinha alta de 2,4%.
Após um fim de semana de intensas discussões na Suíça, EUA e China anunciaram hoje que irão suspender as tarifas impostas a produtos um do outro de 125% a 10% por um período de 90 dias. Tarifas relacionadas à questão do fentanil seguem em vigor.
A agenda de indicadores e balanços da Europa de hoje está praticamente esvaziada, mas o UniCredit divulgou informe trimestral que superou expectativas de lucro e receita. No horário acima, a ação do banco italiano exibia robusta alta de 3,7% em Milão.
Às 6h41 (de Brasília), a Bolsa de Londres subia 0,56%, a de Paris avançava 1,72% e a de Frankfurt ganhava 1,27%. Já as de Milão, Madri e Lisboa tinham altas de 1,82%, 0,80% e 0,45%, respectivamente.


