Café brasileiro exportado para os EUA: R$ 290 por quilo. (Foto: EBC)


As consequências do tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já se fazem sentir de forma contundente no mercado americano.

Os preços da carne bovina e do café — dois dos principais itens importados do Brasil — dispararam, gerando preocupação entre consumidores, redes varejistas e a indústria alimentícia.

Carne bovina: alta recorde

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Desde que a tarifa entrou em vigor em 6 de agosto, o preço da carne bovina nos EUA atingiu patamares históricos.

A picanha, corte nobre brasileiro, chegou a ser vendida por até R$ 150 o quilo (US$ 26,18/kg).

A carne moída, base para hambúrgueres, subiu para R$ 75 o quilo (US$ 13,78/kg).

O índice de carne bovina e vitela subiu 2,5% em julho e acumula alta de 11,3% em 12 meses.

A produção doméstica americana também enfrenta dificuldades: há uma queda de 4% na produção de carne bovina em 2025, com redução de rebanhos devido à seca prolongada.

As importações de carne brasileira — que representavam 27% do total consumido nos EUA — caíram drasticamente. Em abril, os EUA compraram 44,2 mil toneladas; em julho, esse número despencou para 12 mil toneladas, uma queda de 70%.

O México ultrapassou os EUA como segundo maior comprador da carne brasileira.

Café: preços explodem

O café brasileiro, que abastece cerca de um terço do consumo americano, também foi atingido pela tarifa de 50%. A cotação do café arábica na bolsa ICE de Nova York subiu mais de 30% em agosto, chegando a US$ 3,87 por libra-peso, o maior valor em três meses.

O preço do café brasileiro pode subir de US$ 15,99 para até US$ 24 por libra, o equivalente a R$ 290 por quilo. A Starbucks já anunciou que reajustará os preços entre outubro de 2025 e março de 2026.

A escassez de grãos brasileiros levou torrefadores americanos a buscar alternativas em países como Colômbia, México e Vietnã, mas os volumes e qualidade não são equivalentes.

A indústria cafeeira americana, que emprega mais de 1 milhão de pessoas, teme que a medida afete profundamente sua competitividade.

Causas e repercussões

O tarifaço foi decretado pelo presidente Donald Trump como resposta às investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando que o Brasil representa uma “ameaça extraordinária” à segurança americana. A medida excluiu alguns produtos, como suco de laranja e petróleo, mas manteve tarifas sobre carne e café — dois pilares das exportações brasileiras.

Enquanto o governo brasileiro busca alternativas comerciais e prepara contramedidas, como a quebra de patentes e a abertura de novos mercados na Ásia e América Latina, os consumidores americanos já sentem no bolso os efeitos da guerra comercial.

A expectativa é que os preços continuem elevados nos próximos meses, enquanto não houver renegociação entre os dois países. A indústria americana, por sua vez, pressiona Washington por isenções específicas, mas enfrenta resistência política.