Super caminhão da Volvo que é destinado ao mercado norte-americano. (Foto Divulgação)


A Volvo anunciou que demitirá até 800 trabalhadores em suas instalações nos EUA nos próximos três meses devido à queda na demanda por caminhões pesados e ao aumento dos custos de produção em razão do tarifaço promovido pelo presidente Donald Trump.

As unidades afetadas incluem a Mack Trucks, na Pensilvânia, e fábricas em Virgínia e Maryland.

A Volvo, que emprega cerca de 20 mil pessoas na América do Norte, vê essas medidas como uma tentativa de ajustar suas operações diante da nova realidade econômica.

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A decisão reflete a turbulência gerada pelo tarifaço de Trump, que elevou os custos de importação de veículos e peças, dificultando a operação das montadoras. A incerteza sobre os preços de insumos e a resposta do mercado levou a Volvo a reavaliar sua estratégia, reduzindo sua força de trabalho para se adaptar ao cenário econômico.

Segundo analistas do setor, os aumentos tarifários podem comprometer a competitividade das montadoras estrangeiras nos Estados Unidos, afetando o emprego e a oferta de veículos.

O impacto das tarifas de Trump se estende para além da Volvo. Montadoras como Volkswagen, Audi e Jaguar Land Rover também estão enfrentando dificuldades para manter suas operações dentro do mercado americano. A Volkswagen e sua divisão Audi suspenderam exportações de veículos produzidos no México, enquanto a Jaguar Land Rover pausou temporariamente o envio de carros fabricados no Reino Unido. A Stellantis, responsável por marcas como Jeep e Fiat, também reduziu suas operações em fábricas no Canadá e no México, demitindo 900 trabalhadores em unidades nos EUA.

O mercado automotivo americano depende fortemente de veículos importados. Em 2024, 46% dos 16,03 milhões de carros vendidos nos EUA vieram de fora do país, segundo a agência de classificação de risco Standard & Poor’s. O México lidera as exportações para os Estados Unidos, com 76% de sua produção voltada para o mercado americano, seguido pela Coreia do Sul, Japão, Canadá e Alemanha.

As montadoras alertam que o tarifaço pode gerar consequências severas, elevando os preços para consumidores e reduzindo a competitividade do setor. Com demissões e suspensão de exportações, a indústria automotiva está passando por uma fase de transformação, buscando alternativas para lidar com a nova dinâmica do comércio global e evitar maiores prejuízos. Especialistas afirmam que, a longo prazo, o impacto das políticas tarifárias pode comprometer o crescimento econômico e influenciar a decisão de fabricantes sobre onde investir e produzir seus veículos.