Toffoli seguiu visitando o resort mesmo após a venda do Tayayá em 2025. (Foto: Divulgação)


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, passou a última virada de ano no resort Tayayá, onde promoveu uma festa para centenas de convidados. Segundo funcionários, bebidas e pedidos feitos no bar foram servidos como cortesia, sem registro na conta dos hóspedes. Procurado pela assessoria do STF, o ministro não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Uma funcionária relatou que os convidados levaram champanhe e vinho próprios, enquanto drinques como piña colada — vendidos normalmente por R$ 48 — eram servidos sem cobrança. O sistema usual do resort, baseado em pulseiras com chip que registram o consumo, não foi aplicado ao grupo do ministro.

Toffoli e familiares costumam frequentar áreas exclusivas do complexo, como o condomínio Ecoview, onde uma cota de hospedagem anual custa R$ 750 mil. Funcionários abordados durante a estadia da reportagem demonstraram desconforto ao ouvir o nome do ministro, em meio à repercussão de matérias recentes sobre sua relação com o empreendimento.

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Participação societária dos irmãos

A empresa Maridt Participações S/A, administrada por dois irmãos de Toffoli, chegou a deter 33% do Tayayá. Em 2025, vendeu sua participação remanescente ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que já atuou em causas tributárias da JBS e mantém sociedade com pessoas ligadas ao grupo empresarial. Em 2023, Toffoli suspendeu o pagamento das parcelas da multa de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência da J&F.

Antes disso, em 2021, a Maridt havia negociado parte da sua fatia com o fundo Arleen, controlado por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro — ex-presidente do banco Master, investigado pelo STF por fraude. Toffoli é relator do caso.

Estrutura de lazer e jogos

O Tayayá oferece piscinas com toboágua, quadras poliesportivas e lago para esportes aquáticos. Há também uma sala de videoloteria, modalidade de aposta instantânea autorizada no Paraná desde 2024. O ambiente reproduz cassinos norte-americanos, com 14 máquinas certificadas pela Lottopar.

Durante a visita, o repórter do jornal O Estado de S. Paulo jogou e perdeu R$ 20 em apostas, enquanto o fotógrafo obteve lucro de R$ 50, retirado via Pix.

Contraste com a sede da Maridt

A sede da Maridt está registrada em uma casa simples em Marília (SP), onde vive José Eugênio Dias Toffoli, engenheiro eletricista, e sua esposa, Cássia Pires Toffoli. O imóvel apresenta sinais de deterioração. Questionada, Cássia negou que o local funcione como sede da empresa e afirmou não ter ligação com o resort.

José Eugênio declarou que a Maridt não integra mais a sociedade do Tayayá e que todas as informações financeiras foram entregues à Receita Federal. O outro irmão, padre José Carlos Dias Toffoli, também representou a empresa em assembleias de sócios, conforme documentos da Junta Comercial do Paraná.

A Maridt chegou a participar de outro empreendimento da rede, o Tayayá Porto Rico, às margens do Rio Paraná, ainda em construção.