O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (15) a designação de quatro peritos da Polícia Federal para conduzir a análise técnica dos documentos, celulares e demais materiais apreendidos durante a Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14) em São Paulo, Minas Gerais, Brasília e Rio de Janeiro. A investigação tem como alvo o Banco Master, seu presidente Daniel Vorcaro, o empresário e bispo evangélico Fabiano Zettel, além do empresário Nélson Tanure e om frundador da Reag, João Carlos Mansur.
Contexto da decisão
A medida foi proferida no âmbito da Petição 15.198, que tramita sob sigilo absoluto no STF. O material apreendido encontra-se sob custódia do Ministério Público Federal (MPF) e já havia sido encaminhado ao Procurador-Geral da República para acompanhamento da extração de dados e realização da perícia.
Desde que assumiu unilateralmente a relatoria do caso, Toffoli tem adotado procedimentos incomuns às investigações, como a imposição de sigilo absoluto, a exigência de autorização prévia para qualquer ato da Polícia Federal e a realização de acareações antes mesmo da coleta formal de depoimentos. Essas decisões têm gerado questionamentos entre investigadores e procuradores, pois pode ensejar a anulação das investigações e atos processuais.
Os peritos designados
Os profissionais escolhidos por Toffoli para conduzir os trabalhos são aos agentes federais:
Luis Filipe da Cruz Nassif
Tiago Barroso de Melo
Enelson Candeia da Cruz Filho
Lorenzo Victor Schrepel Delmutti
Segundo despacho de Dias Tóffoli, eles terão livre acesso ao conteúdo apreendido e deverão contar com o apoio da Procuradoria-Geral da República durante a execução da perícia.
Operação e críticas
Na operação de quarta-feira (14), foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, além de um de prisão temporária contra Fabiano Zettel. Em despacho, Toffoli criticou a suposta “leniência” da Polícia Federal na execução das medidas.
No fim de 2025, o ministro já havia determinado uma acareação entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, decisão considerada atípica por investigadores, que apontaram a ausência de depoimentos prévios como requisito básico para esse tipo de procedimento.
Fechamento institucional
A decisão foi assinada digitalmente por Dias Toffoli e publicada oficialmente nesta quinta-feira (15). Embora o processo siga em sigilo, o despacho reforça o papel do STF na supervisão de investigações sensíveis e de grande interesse institucional, envolvendo figuras centrais do sistema financeiro e político brasileiro.





