BRASIL EM FOCO
Germano Oliveira*
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, está encalacrado num poço de areia movediça, no qual, quando ele mais se mexe, mais afunda. Está ficando num beco sem saída. Até o final do ano passado, com a liquidação do Banco Master, ele dizia que não tinha nenhum negócio com o banqueiro Daniel Vorcaro e muito menos com os irmãos, sócios do Resort Tayaya, que se mostraram verdadeiros “laranjas” no caso do hotel, que possui até um cassino ilegal em seu interior.
Menos de dois meses depois de declarar nada ter a ver com o resort do Master, administrado por um fundo de propriedade do cunhado de Vorcaro, o pastor Fernando Zettel, Dias Toffoli agora admite que tem cotas no empreendimento, em sociedade com um irmão e um cunhado, residentes em Marília, e que lá vivem modestamente. O véu caiu e o ministro está nu perante toda a sociedade.

Ainda recentemente, Toffoli brigava contra os fatos, sobejamente divulgados, com provas, pelos jornais e sites brasileiros. Enquanto a mídia divulgava fotos do ministro do STF recepcionando figurões do mercado financeiro, que chegavam ao resort em seus potentes helicópteros, e até o ancoradouro para seus barcos ainda válido no local, localizado às margens do Rio Paraná, o ministro do STF procurava embaraçar as investigações sobre a liquidação do banco de Vorcaro.
Primeiramente, o ministro decretou sigilo nas investigações e passou a manipulá-las. No final de dezembro, ainda tentou tomar as rédeas do inquérito desenvolvido pela Polícia Federal. Marcou os depoimentos de Vorcaro, de diretores do BRB e do diretor de fiscalização do Banco Central para salas do STF, sob seu controle.
Tentou, até mesmo, forçar a delegada da PF que comanda o inquérito da quebra do banco, mas ela não cedeu. Denunciou as manobras de Toffoli e não permitiu que ele fizesse as perguntas aos investigados, deixando claro que era ela quem comandava as oitivas e não o ministro.
Nesta quinta-feira, contudo, o ministro divulgou uma nota admitindo que era sócio dos irmãos, que recebeu dinheiro do negócio e o caso ficou escancarado com as digitais de Toffoli nas maracutaias do Banco Master. E o pior é que a PF tem detalhes da quebra de sigilo dos telefones celulares de Vorcaro, que contém conversas dele com o ministro, nas quais fala sobre o recebimento de dinheiro do banqueiro, etc. Muitas outras coisas ainda vão surgir dessas conversas.
Lula não vai salvar Toffoli

Esses dados todos foram levados pelo delegado-geral da PF ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. O delegado chegou a pedir que Fachin afaste Toffoli do caso. Paralelamente, já há políticos da oposição levando pedidos de impeachment do ministro ao Senado, que é o tribunal que julga se o magistrado pode ou não ser demitido.
Neste momento, Toffoli está nas mãos da PGR, que pode encaminhar uma denúncia contra o ministro, ou de seus pares na Corte, que não parecem dispostos a se movimentar desfavoravelmente a ele. Nem mesmo o presidente Lula deve mover uma palha para livrar o ministro da degola.
Como se sabe, Toffoli foi indicado para o STF por Lula. O ministro havia sido antes assessor político do então deputado José Dirceu e, logo no primeiro mandato do presidente petista, em 2003, foi alçado a cargos importantes no governo lulista. Subiu tanto no conceito do presidente que foi indicado por ele para a Suprema Corte.
Mas essa amizade não foi correspondida. Em 2018, Toffoli votou pela manutenção de Lula na cadeia em Curitiba e chegou a proibir o presidente de comparecer ao enterro de seu neto. Lula nunca o perdoou. E, agora, não parece estar disposto a salvá-lo. O presidente não o perdoou e não vai perdoá-lo. Talvez reste a Toffoli pedir uma licença do cargo. A ver.


