
Dois navios de cruzeiro chegaram nesta semana ao Porto de Outeiro, em Belém (PA), para funcionar como hotéis flutuantes durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP30).
Durante todos os meses que antecederam à organização do evento, uma das principais reclamações de países estrangeiros e organismos nacionais de meio-ambiente era do alto preço de hospedagens em hoteis de Belém e da baixa oferta de vagas.
Os hotéis de Belém, mesmo aqueles considerados mais simples, chegaram a cobrar até R$ 3 mil por diária, o que é um valor caro mesmo para delegações de países europeus.
Com a alocação dos navios, a situação parece ter sido solucionada, segundo os organizadores.
As embarcações MSC Seaview e Costa Diadema somam cerca de 6 mil leitos. O check-in estará disponível a partir desta quarta-feira (5).
A contratação dos navios faz parte da estratégia do governo federal para ampliar a oferta de hospedagem na capital paraense durante o evento. A medida busca garantir condições adequadas e acessíveis aos participantes da conferência, prevista para novembro de 2025.
O trajeto entre os navios e o Parque da Cidade, sede da COP30, será feito por ônibus oficiais, com operação contínua e gratuita.
O percurso, de cerca de 20 km, deve durar aproximadamente 30 minutos. Os veículos circularão por faixas exclusivas do BRT e pela nova ponte de acesso rápido, inaugurada em outubro. Antes da construção da ponte, o tempo de deslocamento era quase o dobro.
“Marquei no cronômetro: do local da COP até o Porto de Outeiro foram 33 minutos e 27 segundos até o desembarque no centro de recepção. Nos dias da conferência será ainda mais rápido, porque a Via Expressa e a Via do BRT estarão exclusivas para os ônibus até o Parque da Cidade. Esse deslocamento será mais rápido do que o de muitos que sairão de hotéis ou casas alugadas”, disse o ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Para receber os dois transatlânticos, o Terminal Portuário de Outeiro passou por reforma completa. O investimento foi de R$ 233 milhões, via Itaipu Binacional.
O projeto incluiu a construção de 11 dolphins, instalação de 10 pontes metálicas e ampliação do píer de 261 metros para 716 metros, com capacidade para movimentar até 80 mil toneladas — o dobro da anterior.
As obras, conduzidas pela Companhia Docas do Pará (CDP), também contemplaram a criação de um espaço de receptivo com infraestrutura para passageiros, como áreas de embarque e desembarque, atendimento e equipamentos de raio X.
Iniciado em 17 de abril, o projeto foi concluído em cerca de seis meses. Para acelerar a entrega, foram organizadas frentes de trabalho simultâneas, com operação 24 horas por dia em três turnos.
“Em um período recorde, entregamos para Belém, para o Pará e para o Brasil um porto pronto para ser a porta do turismo internacional na Amazônia”, afirmou o presidente da CDP, Jardel Rodrigues da Silva.
O ministro Rui Costa destacou que a nova infraestrutura representa um avanço para o desenvolvimento regional. “Esse porto viabilizará desenvolvimento econômico, social e turístico para o Pará e aumentará o transporte de carga em Belém. A capital entra definitivamente na rota do turismo nacional e internacional, com impacto positivo na geração de empregos”, disse.
A expectativa é que o terminal passe a integrar rotas regulares de turismo marítimo, impulsionando setores como hotelaria, gastronomia, transporte e comércio.
“O Porto de Outeiro vai transformar a região e agregar potencial turístico ao terminal, que antes operava apenas com cargas. Isso beneficiará não só o entorno, mas toda a cidade e a região Norte”, afirmou o secretário extraordinário da COP30, Valter Correia.

