Donald Trump está sem saber como acabar com a guerra. (Reprodução: TV)


O presidente Donald Trump anunciou que estendeu pela segunda vez o prazo para possíveis ataques militares contra usinas de energia iranianas, prolongando um período de incerteza diplomática enquanto os dois países sinalizam mensagens contraditórias sobre o progresso das negociações.

A nova prorrogação, comunicada via redes sociais, adia qualquer ação militar até o dia 6 de abril. O Sr. Trump afirmou que a decisão foi uma resposta direta a um pedido de Teerã, descrevendo o diálogo entre as nações como “muito produtivo”. Contudo, mediadores próximos às conversas contestaram a versão da Casa Branca, afirmando que o governo iraniano não solicitou formalmente mais tempo.

Diplomacia de Ultimatos

A atual crise escalou em 21 de março, quando Trump ameaçou “obliterar” a infraestrutura de energia do Irã caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz, uma artéria vital para o comércio global de petróleo. Desde então, o presidente tem alternado entre a retórica belicista e o otimismo cauteloso.

Na manhã de quinta-feira, antes do anúncio do novo prazo, Trump demonstrou ambivalência sobre um possível pacto, sugerindo que o Irã estaria “desesperado” por um acordo. “Não tenho certeza se ainda quero um acordo”, disse ele a repórteres, sublinhando a natureza volátil da estratégia de política externa de sua administração.

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Proposta de Washington

Autoridades americanas apresentaram esta semana um plano de 15 pontos que visa não apenas encerrar as hostilidades imediatas, mas redefinir a postura militar do Irã na região. O documento, rejeitado por Teerã como “desconectado da realidade”, estabelece exigências rigorosas:

  • Desarmamento Nuclear: O compromisso formal de nunca desenvolver armas atômicas e a desativação imediata das usinas de enriquecimento em Natanz, Isfahan e Fordow.
  • Restrições de Mísseis: Limites estritos ao alcance e ao tamanho do arsenal de mísseis balísticos do Irã.
  • Geopolítica Regional: O fim do apoio financeiro e militar a grupos como o Hamas e o Hezbollah.
  • Segurança Marítima: A garantia de uma zona de livre navegação permanente no Estreito de Ormuz.

    Resistência em Teerã

    A resposta do Irã foi de desafio. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, caracterizou a abertura americana para o diálogo como um reconhecimento tácito de “derrota”. Segundo Araghchi, não há negociações diretas em curso, apenas trocas de mensagens por meio de intermediários.
    Analistas sugerem que a tática de Trump de estender prazos pode ser uma tentativa de manter a pressão máxima sem iniciar um conflito que poderia desestabilizar os mercados globais de energia. No entanto, a discrepância entre os relatos da Casa Branca e dos mediadores internacionais sobre quem solicitou o adiamento levanta dúvidas sobre a viabilidade de um avanço diplomático antes do novo prazo de 6 de abril.