Líderes europeus reagiram ao apelo do presidente Donald Trump para a formação de uma coalizão internacional destinada a garantir a segurança no Estreito de Ormuz. A rota, estratégica para o transporte global de petróleo, está atualmente bloqueada pelo Irã.
No último sábado, Trump afirmou que pretende reunir nações como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido para proteger a passagem. “É lógico que aqueles que se beneficiam dessa rota ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá”, declarou ao Financial Times.
O republicano advertiu que a ausência de uma resposta ou a recusa ao pedido seria “muito ruim para o futuro da OTAN” e ameaçou adiar uma cúpula com o presidente chinês, Xi Jinping, caso Pequim não colabore na reabertura do estreito.
Respostas na Europa
O Reino Unido informou que trabalha com aliados em um plano para restabelecer a navegação, mas o primeiro-ministro Keir Starmer enfatizou que o país “não se deixará arrastar para uma guerra mais ampla”. Segundo Downing Street, Londres busca um “plano coletivo viável” que não seja conduzido sob a bandeira da OTAN. Entre as opções avaliadas está o uso de drones de detecção de minas já posicionados na região, o que evitaria o envio imediato de navios de guerra britânicos adicionais.
Em conversa telefônica com Starmer no domingo (15), Trump reiterou a “importância de reabrir o Estreito de Ormuz”, segundo porta-vozes britânicos.
A Alemanha também rejeitou a ideia de uma mobilização da Aliança Atlântica. Stefan Kornelius, porta-voz do governo, afirmou em coletiva de imprensa que o atual conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã não está relacionado à OTAN. “A OTAN é uma aliança para a defesa do território de seus membros e, na situação atual, não existe mandato para mobilizá-la”, declarou.
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, reforçou que o país não oferecerá participação militar, embora possa buscar garantias por via diplomática. “Esta guerra começou sem qualquer consulta prévia”, enfatizou.
Na Itália, o chanceler Antonio Tajani manifestou apoio ao reforço de missões navais da União Europeia no Mar Vermelho, mas considerou improvável estender essas operações ao Estreito de Ormuz. “Não creio que essas missões possam ser ampliadas, especialmente porque se trata de missões de combate à pirataria e de defesa”, disse.
Em Bruxelas, Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, afirmou que o bloco discute medidas para manter a rota aberta, mas ressaltou que vários ministros pediram tempo antes de qualquer alteração no mandato da missão naval Aspides. “Temos interesse em manter aberto o Estreito de Ormuz e estamos discutindo o que podemos fazer do lado europeu”, disse antes de uma reunião nesta segunda-feira (16).
Hesitação em Tóquio
A resistência ao pedido de Washington também ecoou na Ásia. O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, afirmou ao Parlamento que o país não considera ordenar uma missão desse tipo diante da atual situação com o Irã.
A primeira-ministra Sanae Takaichi declarou não ter recebido um pedido formal de Trump e destacou as limitações legais do país. “O envio de forças ao exterior é politicamente sensível e juridicamente complexo em um país cuja Constituição renuncia à guerra”, afirmou.
Takaichi disse ao Parlamento que o Japão deve decidir o que fazer por iniciativa própria e dentro de seu marco legal, em vez de apenas seguir as solicitações dos Estados Unidos.


