Em um novo desdobramento da crise no Oriente Médio, o governo dos Estados Unidos anunciou o início de uma operação militar de grande escala para escoltar embarcações retidas no Estreito de Ormuz. A iniciativa, batizada pelo presidente Donald Trump de “Projeto Liberdade”, foi recebida com hostilidade imediata por Teerã. O comando militar do Irã alertou, nesta segunda-feira, que forças estrangeiras “serão submetidas a ataques” caso se aproximem ou entrem na via navegável.
O Estreito de Ormuz é considerado a artéria mais vital do comércio de energia do mundo, por onde transita cerca de um quinto do consumo global de petróleo. O impasse marítimo entre Washington e Teerã, que já dura meses, paralisou o tráfego comercial na região e provocou uma escalada nos preços dos combustíveis.
‘Projeto Liberdade’
De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), a missão envolve um contingente de 15 mil militares, destróieres equipados com mísseis guiados, mais de 100 aeronaves e plataformas não tripuladas. O objetivo, segundo Trump, é guiar navios de nações não envolvidas no conflito para fora da zona de bloqueio.
“Os EUA vão guiar navios para que possam retomar seus negócios de forma livre e capaz”, afirmou Trump em uma publicação na rede social Truth Social, classificando a medida como um “gesto humanitário”, já que centenas de tripulantes estão com baixos estoques de alimentos e suprimentos básicos após dois meses de paralisação.
Para viabilizar a passagem, o Centro Conjunto de Informações Marítimas estabeleceu uma “área de segurança reforçada” ao sul das rotas tradicionais. O órgão recomendou que as embarcações utilizem as águas territoriais de Omã, alertando que as rotas habituais são “extremamente perigosas devido à presença de minas que ainda não foram totalmente mapeadas ou neutralizadas”.
A reação de Teerã
O governo iraniano, que reivindica a soberania sobre a segurança do estreito, reagiu duramente. O major-general Ali Abdollahi declarou na TV estatal IRIB que qualquer passagem segura deve ser coordenada com Teerã.
“Alertamos que qualquer força armada estrangeira, especialmente os militares agressivos da América, caso pretendam se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz, serão submetidos a ataques”, afirmou o general, acrescentando que a ação americana resultará em “nada além de mais complicações e riscos para a segurança das embarcações”.
Contexto de instabilidade
A tensão no estreito atingiu níveis críticos após ataques a navios no último fim de semana, reportados pelo centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO). A crise é um reflexo direto do conflito iniciado há mais de dois meses, após a ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra alvos ligados ao Irã.
Apesar da retórica belicista, há pequenos sinais de diplomacia nos bastidores:
- Mediação do Paquistão: Islamabad facilitou a transferência de 22 marinheiros iranianos capturados pelos EUA no mês passado. O gesto foi descrito como uma “medida de construção de confiança”.
- Negociações de cessar-fogo: O Irã confirmou estar revisando uma resposta americana a uma proposta de fim das hostilidades, embora ambos os lados mantenham o pessimismo sobre um acordo definitivo a curto prazo.
A operação americana marca o esforço mais agressivo de Washington para quebrar o controle iraniano sobre o estreito, mas especialistas alertam que a presença massiva de destroyers e drones em águas contestadas eleva o risco de um confronto direto acidental — ou provocado — entre as duas potências.




