O presidente Donald Trump confirmou nesta quinta-feira (16) que se reunirá com o presidente russo Vladimir Putin em Budapeste, após uma ligação telefônica de quase duas horas entre os dois líderes. O anúncio, feito em coletiva na Casa Branca, gerou apreensão entre aliados da Ucrânia, que esperavam um novo pacote de ajuda militar dos Estados Unidos.
“Foi uma conversa muito produtiva”, disse Trump a repórteres. “Putin e eu concordamos que é hora de buscar soluções reais para a paz. Vamos nos encontrar em Budapeste nas próximas semanas.”
A escolha da capital húngara como sede da cúpula não passou despercebida. Budapeste é governada por Viktor Orbán, primeiro-ministro ultraconservador e aliado próximo tanto de Trump quanto de Putin. A reunião será precedida por encontros entre diplomatas dos dois países, liderados pelo secretário de Estado Marco Rubio e pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov.

Incertezas sobre mísseis para Kiev
O anúncio da cúpula ocorre em um momento delicado para a Ucrânia. O presidente ucraniano Volodimir Zelenski tem pressionado Washington por novos sistemas de defesa aérea e mísseis de longo alcance, incluindo o modelo Tomahawk, diante da intensificação dos ataques russos à infraestrutura energética do país.
Zelenski e Trump têm uma reunião marcada para sexta-feira (17), em Washington. Fontes próximas ao governo ucraniano disseram ao The Washington Post que Kiev esperava sair do encontro com um compromisso firme de entrega dos armamentos.
“Estamos em um ponto crítico da guerra”, afirmou um assessor de Zelenski sob condição de anonimato. “A Ucrânia precisa de garantias, não de ambiguidades.”
No entanto, a ligação entre Trump e Putin levantou dúvidas sobre o futuro desse apoio. Questionado se os EUA ainda pretendem fornecer os Tomahawks, Trump respondeu: “Vamos conversar com Zelenski. Mas também precisamos conversar com Putin. A paz exige equilíbrio.”
Reações no Congresso
A notícia da cúpula provocou reações mistas no Congresso. O senador Lindsey Graham (R-S.C.) elogiou a iniciativa: “Se Trump conseguir trazer Putin à mesa e encerrar essa guerra, será um feito histórico.” Já a senadora Jeanne Shaheen (D-N.H.) criticou o timing do encontro: “É um sinal preocupante para nossos aliados. A Ucrânia precisa de apoio, não de concessões.”
Um novo eixo diplomático?
Putin, por sua vez, elogiou Trump pela mediação do cessar-fogo entre Israel e Hamas, que entrou em vigor na semana passada. “O presidente Trump demonstrou liderança ao promover a paz no Oriente Médio. Esperamos que o mesmo espírito prevaleça na Europa”, disse o Kremlin em comunicado.
Analistas veem a aproximação como parte de uma estratégia mais ampla de Trump para reposicionar os EUA como mediadores globais, mesmo que isso implique reavaliar alianças tradicionais.
“Trump está tentando redesenhar a ordem mundial à sua maneira”, disse Fiona Hill, ex-conselheira de segurança nacional. “Mas isso pode ter um custo alto para a credibilidade americana.”
A data exata da cúpula em Budapeste ainda não foi divulgada. Enquanto isso, Zelenski aguarda em Washington, com a esperança de que a promessa de apoio militar não se dissolva em meio à diplomacia de alto risco.





