O presidente Donald Trump. (Foto: USN)


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu com indignação à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar suas tarifas globais, o chamado tarifaço. O mandatário norte-americano acusou juízes de serem “traidores da pátria” e de atuarem “a serviço de interesses estrangeiros”, em um ataque direto e ostensivo à mais alta instância do Judiciário americano.

Trump afirmou que, paradoxalmente, a decisão acabou por “ampliar o poder presidencial” na regulação do comércio.

“Embora eu tenha certeza de que não foi essa a intenção, a decisão da Suprema Corte hoje tornou a capacidade do presidente de regular o comércio e impor tarifas mais poderosa e clara, em vez de menos”, disse.

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Críticas e elogios seletivos

O presidente reservou elogios aos juízes dissidentes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh, agradecendo-lhes pela “força, sabedoria e amor ao país”. Em especial, destacou Kavanaugh, a quem chamou de “gênio” por sua dissidência e cuja reputação, segundo Trump, “subiu muito”.

Por outro lado, Trump não poupou críticas aos magistrados que votaram contra suas tarifas, incluindo dois indicados por ele próprio, Amy Coney Barrett e Neil Gorsuch. “Sinto vergonha de certos membros da Corte, absolutamente envergonhado, por não terem coragem de fazer o que é certo para nosso país”, declarou.

Acusações sem provas

Sem apresentar evidências, Trump acusou a Suprema Corte de ser “influenciada por interesses estrangeiros e por um movimento político muito menor do que as pessoas jamais imaginam”.

Segundo ele, “certos juízes têm medo disso” e, por isso, não tomariam decisões corretas para os Estados Unidos.

Contexto político

A decisão representa um revés para Trump, que buscava manter tarifas globais como instrumento de sua política comercial. Apesar da derrota, o presidente insistiu que países estrangeiros “não vão dançar por muito tempo” diante da decisão, prometendo novas medidas.