Em publicação em sua conta nas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na tarde desta quarta-feira (9) que irá aumentar de 104% para 125% a tarifa sobre produtos chineses e que irá reduzir, pelo prazo de 90 dias, as taxas recíprocas a outros 75 países. A taxa de 104% começou a vigorar na primeira hora desta quarta-feira.
Esta foi a postagem do presidente norte-americano:
“Com base na falta de respeito que a China demonstrou aos mercados mundiais, estou, por meio deste, aumentando a tarifa cobrada da China pelos Estados Unidos da América para 125%, com efeito imediato. Em algum momento, esperançosamente em um futuro próximo, a China perceberá que os dias de exploração dos EUA e de outros países não são mais sustentáveis ou aceitáveis. Por outro lado, e com base no fato de que mais de 75 países convocaram representantes dos Estados Unidos, incluindo os Departamentos de Comércio, Tesouro e USTR, para negociar uma solução para os assuntos em discussão relativos a Comércio, Barreiras Comerciais, Tarifas, Manipulação Cambial e Tarifas Não Monetárias, e que esses países não retaliaram de forma alguma contra os Estados Unidos, por minha forte sugestão, autorizei uma PAUSA de 90 dias e uma Tarifa Recíproca substancialmente reduzida durante esse período, de 10%, também com efeito imediato. Obrigado pela sua atenção a este assunto!“
O impacto do tarifaço dos EUA na economia brasileira
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos pode ter atingido o Brasil com uma taxa menor do que a de outros países, mas ainda há efeitos sobre os consumidores e o mercado financeiro. As novas tarifas aumentam a incerteza global, podendo encarecer produtos importados e pressionar a inflação no país.
O que muda no bolso dos brasileiros?
Se o Brasil decidir retaliar e aplicar tarifas semelhantes, itens como eletrônicos, produtos químicos e veículos podem ficar mais caros. Um exemplo são os carros importados dos EUA, que já sofrem incidência de impostos altos e podem ter preços ainda mais elevados.
Além disso, a instabilidade no dólar pode impactar diretamente o custo de insumos e alimentos. Caso a moeda americana se valorize, produtos como trigo e derivados, que dependem de importação, podem ter aumento de preço, pressionando ainda mais o consumidor.
Reflexos na economia global
A guerra comercial também eleva os riscos de uma recessão global. O Goldman Sachs, por exemplo, aumentou a probabilidade de recessão nos EUA de 35% para 45%. Isso poderia afetar exportações brasileiras, reduzindo a demanda por commodities como soja e petróleo.
Por outro lado, algumas oportunidades podem surgir. Com a China retaliando os EUA, produtos agropecuários americanos podem perder espaço no mercado asiático, favorecendo o Brasil. Isso pode significar mais exportações e, consequentemente, mais empregos no setor.
O que dizem os especialistas?
Lucas Ferraz, ex-secretário de comércio exterior, alerta que se houver uma forte recessão global, nenhum país sairá ganhando. “O equilíbrio ainda é incerto, mas o Brasil pode se beneficiar no longo prazo se conseguir redirecionar seus fluxos comerciais”, explica.
Já o economista Sergio Vale, da MB Associados, prevê impactos mais diretos no crescimento econômico. Segundo ele, “a economia brasileira pode crescer menos e o desemprego aumentar, mas não será um impacto catastrófico”.
Como o Brasil pode reagir?
O Congresso brasileiro já aprovou um projeto de reciprocidade, permitindo a adoção de medidas contra o tarifaço de Trump. Caso o país opte por retaliação, produtos importados podem ter custos elevados, aumentando a inflação. No entanto, especialistas alertam que entrar numa guerra comercial pode trazer mais prejuízos do que benefícios.
No curto prazo, o brasileiro pode sentir os impactos nos preços e na economia. No longo prazo, o Brasil pode ganhar espaço no mercado global. A recomendação dos especialistas é acompanhar de perto os desdobramentos e se preparar para possíveis oscilações nos preço


