Bandeiras em frente da sede da Otan em Bruxelas, na Bélgica - Reprodução


Numa longa entrevista à imprensa, na Casa Branca, nesta terça-feira (20), primeiro ano de seu segundo governo, o presidente Donald Trump declarou que sua administração realizou “mais pela Otan do que qualquer outra pessoa, viva ou morta”.

A afirmação foi feita em meio a uma crise que abala a aliança militar desde sua fundação, em 1949. A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) é uma aliança militar criada após a Segunda Guerra, que reúne atualmente 32 países da Europa e da América do Norte, com o objetivo principal de garantir a defesa coletiva de seus membros.

A tensão decorre do desejo manifestado por Trump de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, país que integra a Otan. A proposta, rejeitada por Copenhague, provocou desconforto entre aliados europeus e reacendeu debates sobre o papel dos Estados Unidos na aliança.

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Discurso e balanço de governo

Trump utilizou o púlpito normalmente reservado à porta-voz Karoline Leavitt para apresentar um balanço de seu primeiro ano.

A Casa Branca distribuiu previamente um documento de 31 páginas listando 365 medidas que o governo considera conquistas.

Entre elas, o aumento das tarifas globais, operações militares no exterior e pressões sobre parceiros comerciais.

Ao falar sobre a Otan, o presidente destacou negociações realizadas em junho para ampliar os investimentos em defesa dos países-membros. “Ninguém fez mais pela Otan”, disse, acrescentando que espera “tratamento justo” da aliança.

Questionado sobre até onde estaria disposto a ir para adquirir a Groenlândia, respondeu apenas: “Você vai descobrir”.

Imigração e críticas internas

Grande parte do discurso foi dedicada à imigração. Trump voltou a criticar imigrantes somalis, exibindo imagens de prisões realizadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minnesota.

A operação gerou protestos após a morte de Renée Good, cidadã americana, baleada por um agente.

O presidente classificou manifestantes como “agitadores profissionais” e reiterou acusações não comprovadas de que países estrangeiros enviariam criminosos intencionalmente aos Estados Unidos.

Segundo dados divulgados pelo governo, mais de 600 mil pessoas foram deportadas em 2025, enquanto 1,9 milhão deixaram o país voluntariamente. As ações do ICE, porém, desencadearam batalhas jurídicas e protestos em diversos estados.

Política externa e ONU

Trump também anunciou a criação de um “Conselho da Paz”, iniciativa que, segundo ele, busca suprir a ausência de apoio das Nações Unidas em negociações internacionais. “Gostaria que a ONU pudesse fazer mais”, afirmou, acrescentando que líderes estrangeiros teriam indicado seu nome ao Prêmio Nobel.

O presidente voltou a mencionar planos de intensificar o combate ao tráfico de drogas por meio de bombardeios terrestres na América Latina, sem especificar países ou prazos. Desde dezembro, ele repete que tais operações começarão “muito em breve”.

Um ano de embates

O segundo mandato de Trump tem sido marcado por medidas que ampliaram tensões internas e externas.

Em doze meses, o governo impôs tarifas, ordenou ataques militares e desafiou instituições multilaterais. A promessa de endurecer políticas migratórias permanece no centro de sua agenda, enquanto aliados europeus avaliam o impacto de sua postura sobre a Otan.