Germano Oliveira


BRASIL EM FOCO

Germano Oliveira*

Há quinze dias, Trump cruzou com Lula nos corredores da sede da ONU e, durante 20 segundos, disse que “houve uma química” entre os dois. Foi o suficiente para iniciarem um namoro que resultou num longo telefonema entre eles, ontem pela manhã, e que durou 30 minutos. Trump ligou para Lula e foi a primeira conversa que eles tiveram desde que o presidente americano assumiu o cargo, no último dia 20 de janeiro.

Falaram, por videoconferência, olho no olho, sobre os principais assuntos que os deixaram distantes nos últimos nove meses. Conversaram sobre tudo. Trump lembrou que os dois estão fazendo oitenta anos e que têm tudo para se darem bem, caso caminhem juntos. “Gostei da conversa. Vamos nos dar bem juntos”, disse Trump. Foi uma jura de amor.

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Lula só deixou a conversa um pouco mais tensa quando lembrou a Trump que o tarifaço não era correto e que as sanções aplicadas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não eram justas. Pediu ao companheiro americano que a Lei Magnitsky, que foi aplicada ao ministro Alexandre de Moraes e à sua mulher, Viviane, fosse revista.

Amor e paz

O namoro entre os dois foi carinhoso. O americano prometeu que iriam se ver em breve. Trump disse que gostaria de ver Lula nos Estados Unidos ou mesmo num encontro entre os líderes dos principais países que acontecerá em breve na Malásia. Caso não se encontrem nesses eventos, os dois podem se falar na COP30, em Belém, no mês de novembro. Afinal, Lula disse a Trump que ficará muito satisfeito caso o americano venha à reunião do clima que se realizará no Pará. O clima entre os dois é de amor e paz.

Agora, no entanto, a relação precisa evoluir para algo mais concreto. Trump e Lula trocaram telefones e agora já não dependem mais da intervenção de seus diplomatas. Resta saber agora se esse relacionamento terá maturidade suficiente para que os dois países se entendam quanto às tarifas comerciais entre eles. Trump impôs tarifas de 50% para alguns produtos brasileiros, como café, carne, móveis, frutas e peixes, e essas tarifas exorbitantes precisam acabar ou ser reduzidas a níveis civilizados.

Lula e Trump têm tudo para que os dois países renovem suas alianças e o casamento prospere. Afinal, Estados Unidos e Brasil são aliados comercialmente há mais de 200 anos. Viva os noivos!

*Germano Oliveira é Diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.