O uso de trenós pelos moradores da Groenlândia é uma tradição local no transporte. (Reprodução: Redes Sociais)


A declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington poderia “tomar a Groenlândia de uma forma ou de outra” provocou forte reação diplomática na Europa e abriu espaço para que a Alemanha reforçasse seu papel estratégico no Ártico. Em tom irônico, Trump afirmou que “se os dinamarqueses querem brincar de trenó, tudo bem, mas os EUA precisam pensar em segurança nacional”, ridicularizando tradições locais e ampliando a tensão diplomática.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, respondeu que “não cabe aos Estados Unidos decidir o futuro da Groenlândia. Isso é uma questão que pertence ao povo groenlandês e à Dinamarca”, reforçando que a segurança do Ártico é um “interesse comum da OTAN”.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, classificou o momento como decisivo: “Estamos diante de uma retórica que ameaça o direito internacional e a autodeterminação dos povos. A Groenlândia não está à venda.”

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O premiê sueco, Ulf Kristersson, também condenou a postura americana: “Uma tomada de posse violaria frontalmente o direito internacional. Não podemos aceitar esse tipo de ameaça.”

Sete países europeus, incluindo França, Reino Unido, Alemanha e Itália, assinaram uma carta conjunta defendendo que apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir o futuro do território. O comandante supremo aliado da OTAN, general Alexus Grynkewich, reconheceu que não há ameaça imediata, mas alertou para a crescente importância estratégica da região: “Estamos vendo patrulhas conjuntas de navios russos e chineses aproveitando o recuo do gelo. O Ártico está mudando rapidamente.”

Os EUA mantêm uma base militar na Groenlândia desde a Segunda Guerra Mundial e consideram o controle da ilha crucial para sua segurança nacional. Ex-colônia dinamarquesa até 1953, a Groenlândia conquistou autonomia em 1979, e pesquisas recentes mostram que a população rejeita fortemente qualquer controle americano. Partidos locais insistem que “os groenlandeses devem decidir seu próprio futuro”, enquanto Frederiksen alertou que uma ação forçada dos EUA “destruiria 80 anos de laços de segurança transatlânticos”.

Trump, por sua vez, voltou a ironizar: “Se afeta a OTAN, afeta a OTAN. Não vejo problema.”