Trump ameaça e recua e Ornuz continua no epicentro da crise. (Reprodução: TV)


O presidente Donald Trump anunciou na manhã desta segunda-feira a suspensão temporária dos planos de ataque contra a infraestrutura de energia do Irã, citando o que chamou de “conversas muito boas e produtivas” com Teerã. A decisão adia, por pelo menos cinco dias, um ultimato de 48 horas que expiraria hoje e que ameaçava levar o Oriente Médio a uma guerra de proporções imprevisíveis.

Em uma série de publicações em sua rede social, Truth Social, Trump afirmou ter instruído o Departamento de Defesa a postergar qualquer ofensiva militar. “Baseado no teor e no tom dessas conversas detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos os ataques contra usinas de energia e infraestrutura iraniana”, escreveu o presidente.

A mudança de tom ocorre após um fim de semana de tensão máxima. No sábado, Trump havia prometido “obliterar” as centrais elétricas iranianas caso o Estreito de Ormuz — por onde circula um quinto do petróleo mundial — não fosse totalmente reaberto. O Irã, por sua vez, respondeu que qualquer agressão resultaria na destruição de usinas de dessalinização e centros de tecnologia de aliados dos EUA na região.

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Pressão econômica e diplomática

Analistas apontam que o recuo estratégico de Washington reflete a pressão crescente sobre os mercados globais. Desde o início das hostilidades em 28 de fevereiro, o preço do barril de petróleo Brent saltou para patamares acima de US$ 110, gerando temores de uma crise inflacionária global comparável aos choques do petróleo da década de 1970.

Internamente, Trump enfrenta críticas de membros do Congresso. O senador Chris Murphy (Democrara) afirmou no domingo que o presidente parecia estar “em pânico” diante do impacto econômico da guerra. “Ele não tem um plano real para reabrir o estreito, então recorre a ameaças contra infraestrutura civil, o que seria um crime de guerra”, disse Murphy.

O papel da Turquia

Embora os detalhes das negociações permaneçam sob sigilo, fontes diplomáticas indicam que a Turquia emergiu como o principal canal de mediação. O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou contatos indiretos, embora mantenha publicamente uma postura de resistência contra o que chama de “chantagem americana”.

O Pentágono não comentou oficialmente a nova diretriz, mas oficiais de defesa confirmaram, sob condição de anonimato, que as forças navais no Golfo Pérsico permanecem em “estado de prontidão máxima”. O ultimato de Trump agora tem uma nova data de validade: a próxima sexta-feira.

A reabertura do Estreito de Ormuz continua sendo o ponto central da discórdia. Enquanto Teerã utiliza o bloqueio como alavanca contra os bombardeios liderados por EUA e Israel, a Casa Branca insiste que a liberdade de navegação é “inegociável”.

Até o momento, o mercado financeiro reagiu com cautela ao anúncio, com uma leve queda nos preços futuros do petróleo, enquanto diplomatas em Genebra e Ancara tentam transformar a trégua de cinco dias em um cessar-fogo duradouro.