O presidente Donald Trump. (Foto: Casa Branca)


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta quarta-feira (7) a retirada do país de mais de 60 organizações internacionais, incluindo 31 entidades ligadas às Nações Unidas. A decisão, formalizada por meio de uma proclamação da Casa Branca, amplia a estratégia republicana de reduzir a participação americana em organismos multilaterais, prática já adotada durante seu primeiro mandato, quando suspendeu o apoio a agências como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a UNESCO e o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Segundo o comunicado oficial, Washington considera que essas instituições atuam em desacordo com os interesses nacionais dos EUA. A lista inclui órgãos voltados a temas climáticos, trabalhistas e de diversidade, como a ONU Mulheres, a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Analistas apontam que a medida consolida uma visão unilateral da política externa americana. “O que estamos vendo é a cristalização da abordagem dos EUA ao multilateralismo: ou do meu jeito ou nada feito”, afirmou Daniel Forti, especialista da ONU no International Crisis Group. A postura marca uma ruptura em relação às administrações anteriores, republicanas e democratas, que buscavam manter diálogo com a ONU mesmo diante de divergências.

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A decisão pressiona a organização, que já enfrenta cortes internos e dificuldades financeiras, e afeta também projetos de organizações não governamentais que dependiam de recursos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), cuja ajuda externa foi drasticamente reduzida por Trump.

O republicano já havia adotado medidas semelhantes em 2020, ao retirar os EUA da OMS durante a pandemia de Covid-19. Na ocasião, acusou a entidade de agir sob influência da China e de fornecer informações equivocadas sobre o coronavírus.

Com a nova proclamação, os Estados Unidos deixam de integrar fóruns e comissões que tratam de energia renovável, biodiversidade, comércio internacional, direitos das mulheres e cooperação regional. A lista divulgada pela Casa Branca inclui tanto organismos independentes quanto estruturas da ONU, reforçando a estratégia de selecionar apenas as iniciativas consideradas compatíveis com a agenda de Trump e rejeitar aquelas vistas como contrárias aos interesses americanos.