Um episódio de violência em Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco, expôs fragilidades na relação entre turistas e comerciantes da orla. No último sábado (27), um casal de Mato Grosso foi brutalmente agredido após uma discussão sobre a cobrança pelo uso de cadeiras e guarda-sol na praia.
Segundo relato das vítimas, o empresário Johnny Andrade e seu companheiro Cleiton Zanatta, cerca de 30 barraqueiros participaram das agressões. O casal afirma que havia combinado o pagamento de R$ 50, mas, ao final, foi exigido o valor de R$ 80. A recusa teria desencadeado a violência.
“Meu rosto está completamente danificado, toda lateral do meu corpo está machucada porque eles bateram muito em mim (…) Tinha aproximadamente uns 30 [agressores] nesse momento”, disse Johnny em vídeo divulgado nas redes sociais.
Os dois foram socorridos por guarda-vidas civis, que os retiraram da praia na caçamba de um veículo para evitar novas agressões. Imagens feitas por banhistas mostram os comerciantes jogando areia no rosto das vítimas.
Acabaram com porto de galinhas, cresceu de uma forma totalmente desordenada, tá tudo verticalizado.
— Thiago Tavares 🗣️ (@thiiagottavares) December 29, 2025
Uma dica se for, fuja da praia de centro, sempre vou para a esquerda, quando sair da multidão, tem várias barracas, que os barranqueiros são gente boa
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Cleiton relatou que, mesmo após o resgate, voltou a ser arrastado e agredido:
“Antes dos salva-vidas saírem, eles conseguiram me tirar de cima da caminhonete, arrastaram de novo por uns 10, 15 metros e me deram muitos chutes nas costas e na cabeça (…) Eu espero nunca mais na minha vida pisar nesse lugar.”
Atendimento médico e dificuldades
Feridos, os turistas precisaram de atendimento médico. Eles denunciaram que tiveram de pagar pelo transporte até as unidades de saúde, já que não havia ambulâncias disponíveis no município.
Na unidade de Porto de Galinhas, o médico informou que seriam necessários exames de imagem, mas o equipamento não estava disponível. O casal foi encaminhado ao Hospital de Ipojuca, onde recebeu alta após os procedimentos.
À noite, na delegacia, os policiais devolveram os pertences que haviam ficado na praia. Segundo os turistas, a dona da barraca exigiu o pagamento do valor combinado, e eles realizaram um Pix.
Repercussão
A Prefeitura de Ipojuca se manifestou em nota oficial publicada nas redes sociais. O texto classificou o episódio como “grave e incompatível com os valores de respeito, acolhimento e hospitalidade que norteiam o destino”.
A gestão informou que os “órgãos competentes já apuram o ocorrido para identificar os envolvidos e adotar as medidas legais cabíveis” e destacou a atuação rápida dos guarda-vidas e da Guarda Municipal para conter a situação.
A prefeitura também ressaltou que vem realizando ações de ordenamento da orla, como o recadastramento de ambulantes, reuniões com barraqueiros e a entrega de crachás com QR Code. A medida, segundo o município, será ampliada para todos os trabalhadores da praia.
Associação dos barraqueiros
A reportagem tentou contato com a Associação dos Barraqueiros de Porto de Galinhas para esclarecer como são feitas as cobranças e se existe tabela de preços para aluguel de equipamentos, mas não obteve resposta até a publicação.


