Imagem das ararinhas-azuis divulgadas pelo Instituto Chico Mendes, contaminadas por vírus australiano. (Foto: Camile Lugarini/Ag. Gov)


Onze ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii), espécie símbolo da conservação da fauna brasileira e considerada uma das mais raras do mundo, foram diagnosticadas com circovírus, doença sem cura que costuma ser fatal para psitacídeos. Os exames foram divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/MMA) após a recaptura das aves no início de novembro, em Curaçá (BA).

Oriundo da Austrália, o circovírus dos psitacídeos é o principal causador da chamada doença do bico e das penas, que provoca alterações na coloração das penas, falhas no empenamento e deformidades no bico. Apesar da gravidade, o vírus não infecta humanos nem aves de produção.

As ararinhas haviam sido repatriadas da Europa e mantidas no Criadouro para Fins Conservacionistas do Programa de Reintrodução da Ararinha-Azul, sendo soltas na região em 2022. Agora, técnicos investigam a origem da infecção e preparam a separação entre aves positivas e negativas para reforçar medidas de biossegurança.

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Autos de infração

Após a primeira detecção do vírus em maio, o ICMBio instaurou o Sistema de Comando de Incidente para conter a disseminação.

Vistorias técnicas realizadas em parceria com o Inema e a Polícia Federal constataram falhas graves nos protocolos de biossegurança do criadouro, o que resultou em multa de R$ 1,8 milhão ao Criadouro Ararinha Azul e a seu diretor.

Entre as irregularidades estavam a falta de limpeza e desinfecção diária das instalações e utensílios, além do manejo inadequado por funcionários sem equipamentos de proteção. O criadouro, antes identificado como Blue Sky, também foi autuado pelo Inema em cerca de R$ 300 mil.

“Se as medidas de biossegurança tivessem sido atendidas com o rigor necessário e implementadas da forma correta, talvez a gente não tivesse saído de apenas um animal positivo para 11 indivíduos positivos para circovírus”, disse Cláudia Sacramento, coordenadora da Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio. “O que a gente espera é que o ambiente não tenha sido comprometido, ameaçando a saúde de outras espécies de psitacídeos da nossa fauna”, afirmou.

Histórico

O governo brasileiro já havia promovido diversas iniciativas para conservar a espécie, incluindo a transferência de 93 indivíduos da Europa para o Brasil, viabilizada por acordo com a ACTP, organização alemã que detém 75% das ararinhas registradas no mundo. Em 2024, o ICMBio encerrou o acordo após descumprimento de compromissos, como a venda de 26 aves para a Índia sem consentimento da instituição.

O objetivo do ICMBio segue sendo a reintrodução plena da ararinha-azul em seu habitat natural, o bioma Caatinga, com foco nas unidades de conservação de Curaçá (BA). As ações da ACTP poderão continuar, mas deverão seguir os instrumentos oficiais de conservação coordenados pelo ICMBio.