Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, protestou contra decisão de Trump. (Foto: Acervo)


A União Europeia expressou forte repúdio neste sábado (12) à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma nova tarifa de 30% sobre as importações de produtos do bloco e do México, com previsão de entrada em vigor em 1º de agosto.

A medida provocou uma onda de condenação e promessas de retaliação por parte dos líderes europeus, que a veem como uma ameaça à estabilidade do comércio global.

A resposta da União Europeia

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prontamente se manifestou, afirmando que a UE está preparada para defender seus interesses com todas as ferramentas disponíveis.

“Poucas economias no mundo se comparam ao nível de abertura e de respeito às práticas comerciais justas da União Europeia”, declarou Von der Leyen, sublinhando a seriedade da situação.

Ela assegurou que o bloco está pronto para tomar “todas as medidas necessárias para proteger os interesses da UE, incluindo a adoção de contramedidas proporcionais, se for preciso”.

A líder europeia enfatizou ainda que o bloco seguirá “trabalhando para alcançar um acordo até 1º de agosto”, indicando que a via diplomática ainda é prioridade, mas com a ressalva de ações firmes em caso de falha.

Em sintonia com a Comissão, o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, reforçou a unidade do bloco. “A UE permanece firme, unida e pronta para proteger [seus] interesses”, afirmou Costa, que preside as cúpulas europeias. Ele criticou veementemente a política tarifária, alertando sobre suas consequências econômicas: “Tarifas são impostos. Elas alimentam a inflação, criam incerteza e prejudicam o crescimento econômico. Continuaremos a construir parcerias comerciais fortes em todo o mundo”. A declaração de Costa ressalta a preocupação com o impacto das tarifas na economia global e o compromisso da UE com o multilateralismo.

Apoio

A reação da União Europeia não se limitou às suas instituições centrais. O gabinete da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que Roma apoia plenamente os esforços da Comissão Europeia. A Itália reiterou que é “fundamental manter o foco nas negociações”, alertando que “a maior polarização pode fazer com que seja mais difícil chegar a um acordo”. Essa posição reflete o desejo de evitar uma escalada que possa prejudicar as relações comerciais e a recuperação econômica.

O primeiro-ministro holandês, Dick Schoof, classificou a tarifa como “preocupante” e enfatizou que essa não é a abordagem correta. “A Comissão Europeia pode contar com todo o nosso apoio. Como União Europeia, devemos permanecer unidos e firmes na busca por um desfecho com os Estados Unidos que seja mutuamente benéfico”, afirmou Schoof em rede social, evidenciando o apoio coeso dos estados-membros à estratégia da Comissão.

Reações

Fora da União Europeia, o México, um dos alvos das novas tarifas, também se pronunciou. O Ministério da Economia do país confirmou ter recebido a carta enviada pelo republicano com as novas tarifas e destacou que o país continua a negociar com os EUA. Em nota oficial, o Ministério afirmou que um “grupo de trabalho com os EUA buscará alternativa antes de 1º de agosto para proteger empresas e funcionários”, indicando uma busca ativa por soluções diplomáticas para evitar os impactos negativos.

A indústria alemã, um dos pilares da economia europeia, expressou grande alarme com a medida. A BDI (associação da indústria do país) pediu negociações urgentes para resolver a crescente guerra comercial. “O anúncio do presidente Trump é um sinal de alarme para a indústria em ambos os lados do Atlântico”, afirmou Wolfgang Niedermark, membro do conselho executivo do BDI, em comunicado. Ele concluiu com um apelo direto: “O BDI apela ao governo alemão, à Comissão Europeia e à administração dos EUA para que encontrem soluções o mais rápido possível em um diálogo objetivo e evitem uma escalada”.