O governo da Venezuela afirmou que a operação norte-americana realizada entre os dias 2 e 3 de janeiro, batizada de Absolute Resolve, deixou ao menos 100 mortos e número semelhante de feridos. Segundo Caracas, a ação resultou na captura do presidente deposto Nicolás Maduro e da esposa, Cilia Flores, ambos feridos. O país segue em estado de emergência, com restrições a manifestações favoráveis à operação e negociações em curso com Washington sobre petróleo.
De acordo com o ministro do Interior, Paz e Justiça, Diosdado Cabello, Maduro foi atingido na perna e Flores sofreu ferimentos na cabeça e no corpo. “Felizmente, ambos se recuperam”, disse o ministro em programa semanal na TV estatal.
O estado de emergência — oficialmente chamado de “estado de comoção exterior” — permanece em vigor. Grupos paramilitares foram mobilizados em Caracas para manter a ordem. Pela legislação aprovada em setembro, ainda sob Maduro, manifestações favoráveis à operação norte-americana podem levar à prisão.
Na segunda-feira (5), durante audiência nos Estados Unidos, o advogado de Cilia Flores, Mark Donnelly, afirmou que ela sofreu contusões graves nas costelas e pediu exames médicos e radiografias.
Cabello reiterou nesta quarta-feira (7) que o ataque deixou 100 mortos. “Até agora, há 100 mortos e número semelhante de feridos. O ataque contra o nosso país foi terrível”, declarou.
As Forças Armadas divulgaram vídeos de funerais de militares mortos na operação. As imagens mostram familiares em prantos, caixões cobertos com bandeiras da Venezuela e discursos exaltando “a coragem e a lealdade” dos soldados. Antes do balanço oficial, a agência AFP havia contabilizado ao menos um civil, um miliciano, 23 militares venezuelanos e 32 cubanos entre os mortos.
Comércio de petróleo
Mais cedo, em cerimônia oficial, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que houve “uma mancha sem precedentes em nossa história”. Empossada pela Assembleia Nacional na segunda-feira, ela decretou sete dias de luto em homenagem às vítimas.
Rodríguez disse que o comércio com os Estados Unidos “não tem nada de extraordinário nem de irregular”, após a estatal PDVSA anunciar negociações para vender petróleo aos norte-americanos.
O presidente dos EUA declarou que Caracas deve entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo, o equivalente a até dois meses da produção venezuelana. Washington afirmou que a transação faz parte de um “acordo histórico” e não se limita aos volumes mencionados. Em rede social, Donald Trump escreveu que a parcela destinada à Venezuela será usada “exclusivamente para comprar produtos norte-americanos”, sobretudo alimentos e medicamentos.
Em pronunciamento, Rodríguez disse que “as mãos da Venezuela estão estendidas a todos os países do mundo, para relações de cooperação econômica, comercial e energética”.
Durante seu primeiro mandato, Trump impôs sanções ao petróleo venezuelano, criando um embargo contornado por compradores por meio de frotas “fantasmas”. O governo dos EUA afirma estar disposto a suspender parte dessas sanções para permitir a comercialização do petróleo no mercado tradicional.


